O banqueiro Daniel Vorcaro pediu ajuda ao ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Paulo Sérgio Neves de Souza para tentar barrar uma norma que endurecia as regras de investimentos de fundos de previdência. A alteração regulatória ameaçava os planos da instituição financeira de vender letras financeiras para regimes de previdência complementar de servidores públicos.
A informação consta em relatórios da Polícia Federal (PF) divulgados nesta sexta-feira (11) após a quebra de sigilo determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com Estadão, Vorcaro chamava Paulo Sérgio de "anjo na vida", enquanto o ex-diretor tratava os pedidos do banqueiro como "prioridade absoluta".
A PF investiga o recebimento de ao menos R$ 4,8 milhões em propina por Paulo Sérgio para atuar em favor de Vorcaro dentro da autarquia federal, em esquema que também envolveria o servidor Belline Santana.
Troca de mensagens e atuação na Previc
Diálogos obtidos pelos investigadores revelam que, em 24 de maio de 2024, Vorcaro procurou Paulo Sérgio — então chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central (BC) — via WhatsApp. O banqueiro solicitou intervenção junto à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) para impedir que grandes bancos retirassem as instituições da categoria S3 da lista exaustiva de investimento institucional.
Nas mensagens, Vorcaro alegou que a mudança na Previc, combinada com novas diretrizes do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), causaria sérios prejuízos aos seus negócios. Diante da solicitação de apoio do BC, Paulo Sérgio respondeu imediatamente que iria verificar a demanda.