Rural

A engrenagem invisível do agro

Com inúmeras cadeias produtivas associadas, setor chega a representar quase 40% do PIB gaúcho

Indústria da AGCO em Santa Rosa fomentou formação de polo metalomecânico na região
Indústria da AGCO em Santa Rosa fomentou formação de polo metalomecânico na região Foto : AGCO / Divulgação / CP

Se o agro vai bem, tudo vai bem. O agro carrega o Brasil nas costas. Sem o agro, o Brasil para. Frequentemente invocadas por lideranças ruralistas e autoridades para defender a importância estratégica da agropecuária na economia, essas frases de efeito podem soar como um exagero para quem se sente desconectado do meio rural. Estudos, porém, sugerem que a interdependência entre a produção do campo, a indústria, o comércio e os serviços é muito maior do que se imagina. De alimentos a energias renováveis, o agronegócio engloba inúmeras cadeias produtivas, e seu desempenho dita o ritmo da geração de renda na zona urbana.

No Rio Grande do Sul, o setor é responsável por cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, se considerado o impacto de todas as etapas de transformação associadas à agropecuária. A estimativa consta na publicação Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2025, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

Para explicar como 40% de cada real gerado no Estado tem origem na terra, o economista-chefe da Farsul, Antônio da Luz, cita dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), baseada na Classificação Nacional de Atividades Econômicas (Cnae). De acordo com o levantamento, as maiores indústrias gaúchas em termos de receita são as de abates (de aves, de suínos e de bovinos), rações animais, esmagamento de soja (óleos e bicombustíveis), elastômeros (borrachas) e máquinas agrícolas. “As coisas são conectadas. Então, das cinco maiores indústrias, quatro são movidas a grão. E eu ainda tenho outras: a do leite, que é gigante, a da celulose”, diz o economista.

Para cada R$ 1 que se fatura dentro das fazendas, segundo Da Luz, R$ 3,20 são gerados fora da porteira. O economista lembra que a maior indústria do Estado é a chilena CMPC, de Guaíba, uma empresa de celulose.

“E o maior investimento (privado) da história do Rio Grande do Sul vai ser a duplicação dela”, afirma Da Luz, citando o projeto da nova fábrica do grupo, em Barra do Ribeiro, estimado em R$ 27 bilhões. “Os bancos são serviços. Só que tira o agro do Rio Grande Sul para ver o que acontece com boa parte dos empregos nos bancos. E 30% do consumo (direto) de combustíveis no Estado é pela agropecuária”, exemplifica.

| Foto: Arte: Leandro Maciel

O economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio, ilustra o poder multiplicador da agropecuária com um levantamento feito pela entidade. De acordo com a pesquisa, 14,5 mil estabelecimentos industriais no Rio Grande do Sul são ligados ao agronegócio, respondendo por 342 mil empregos formais.

“Essas indústrias são 28% (do total) e geram 39% dos empregos da indústria gaúcha. É uma ligação histórica. Em comparação com o Brasil, o peso da cadeia do agronegócio aqui é maior”, avalia Baggio.

Ele destaca ainda números da Pesquisa Industrial Anual – Produto (PIA-Produto) do IBGE, que detalha quantidades, valores e receita de vendas de produtos industriais. A análise permite verificar os itens em que o Estado tem mais relevância em termos nacionais. “Dos 10 primeiros produtos do Rio Grande do Sul em melhor posição entre os estados, oito têm ligação com o agronegócio. O primeiro colocado é o fumo: 96% do tabaco é beneficiado aqui. O segundo colocado é o arroz, com 52% (da produção nacional). E o terceiro, tratores agrícolas, 42,5%, também (nesse segmento) somos o primeiro do Brasil”, afirma.

Da terra à tela

Se fosse rastrear todo o caminho percorrido por um grão, o engenheiro-agrônomo e professor Marcos Fava Neves, da Universidade de São Paulo (USP), diz que esse trajeto revelaria uma engrenagem gigantesca. “Você tem agências de propaganda que só trabalham com o agro, bancos, seguradoras (...), empresas de software, drones, previsão climática. É muita coisa comprada pelo setor que não está evidente para as pessoas”, observa.

Nesse ecossistema, avalia o professor, ganha destaque a tecnologia. “

O agro precisa muito de TI. A fazenda hoje está ficando cada vez mais conectada, digitalizada. Costumo falar que a agricultura deixou de ser feita por hectare e está sendo feita por metro quadrado. A área de marketing e comunicação também é muito importante para contar a história da fazenda, toda essa revolução que a gente está vendo aí no Instagram”, diz Fava Neves.

Assim como o crescimento do agro leva prosperidade às cidades, quando o produtor rural sofre algum revés, o impacto não fica restrito à fazenda.

“Uma oscilação para baixo da agropecuária faz toda a economia oscilar negativamente”, afirma o economista Martinho Lazzari, chefe da Divisão de Análise Econômica do Departamento de Economia e Estatística (DEE).

Segundo Lazzari, nem sempre uma queda da agro significa um declínio do PIB. “Mas, como regra geral, se tu tens uma estiagem aqui, o PIB do Estado cresce menos que o nacional”, explica. Como um exemplo da tendência, o economista lembra que, após a forte estiagem de 2022, o tombo da agropecuária foi o principal responsável pela retração de 2,6% no PIB gaúcho, enquanto o nacional cresceu 3%. “Então, é um impacto direto e indireto muito forte”, enfatiza.

Mais renda na cidade

Mesmo sem familiaridade com lavouras, o executivo porto-alegrense Thiago Nascimento comprova na vivência prática a veracidade por trás dos slogans citados no primeiro parágrafo. Diretor da consultoria imobiliária Urban Company, situada na zona Norte da Capital, Nascimento diz que os agricultores representam de 15% a 20% dos clientes da empresa, focada em imóveis de alto padrão. A aquisição de imóveis, explica, permite ao produtor usá-los como garantia real em operações de crédito rural, mas muitos veem no negócio também uma fonte de renda complementar em períodos de perda de safra. “Já tivemos clientes que relataram que os imóveis trazem uma segurança financeira para não terem que diminuir o padrão de vida, porque conseguem se manter com os aluguéis rendendo”, diz.

Segundo Nascimento, os negócios acompanham o humor do campo.

“Temos clientes que compram recorrentemente em diversas oportunidades ou ano a ano vêm fazendo novos investimentos, de acordo com o que vai sendo a safra. Em alguns momentos, eles acabam ficando mais cautelosos”, afirma.

Eficiência no campo move a cadeia de máquinas

Estimuladas pelo agro, fabricantes estabelecidas no Estado geram modernização e fortalecem conhecimento

Fabricante de estruturas de armazenagem e equipamentos, Kepler Weber de Panambi emprega 1,3 mil pessoas | Foto: Kepler Weber / Divulgação / CP

A agropecuária impulsiona uma vasta rede industrial, mas nenhum setor tem uma imagem tão diretamente associada à rotina do campo quanto o da mecanização agrícola. Maior símbolo visual da força do agronegócio, o segmento também é um dos que mostram maior grau de dependência da atividade rural. Representada no Estado por 557 estabelecimentos e responsável por 31.364 empregos diretos, de acordo com dados compilados pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), a indústria gaúcha de máquinas e implementos agrícolas concentra 34,9% do valor da produção nacional desse tipo de equipamento, ocupando a segunda posição no país, atrás apenas de São Paulo (36,6%).

Ao se modernizar, estimulada pelo ecossistema do agro, a cadeia de maquinário gaúcha tornou-se referência nacional, sustentando também a produção agrícola do Centro-Oeste, destaca o economista-chefe do Sistema Fiergs, Giovani Baggio.

“Muito se fala desse aumento de produtividade no agro nos últimos anos. Isso é fruto de pesquisa em desenvolvimento de sementes adequadas ao nosso clima, de técnicas de manejo, de produção, tudo isso aliado à maior tecnologia das máquinas. As máquinas produzidas no Rio Grande Sul têm mercado em toda a América do Sul, exportamos inclusive para os Estados Unidos”, observa.

Líderes em número de fábricas e postos de trabalho no setor, os municípios de Passo Fundo, Panambi e Santa Rosa somam juntos 104 unidades produtivas de maquinário, o equivalente a 18,7% do total de estabelecimentos nessa categoria no Estado, aponta a Fiergs com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego de 2025.

Fabricante de colheitadeiras e plataformas das marcas Fendt, Massey Ferguson e Valtra, a unidade do grupo AGCO em Santa Rosa se instalou no município há sete décadas e contribuiu para a formação do polo metalomecânico da região. Segundo o diretor de Manufatura e Site Leader da planta, Daniel Cantarelli, a operação mantém cerca de 500 fornecedores, dos quais 46,4% são nacionais.

“Ao longo de sua trajetória, fornecedores e empresas de componentes instalaram-se em Santa Rosa e nos municípios próximos para atender à demanda da indústria de máquinas agrícolas, ampliando a geração de emprego, renda e conhecimento técnico. O impacto (...) se estende aos serviços de transporte e logística, à manutenção industrial, às instituições de ensino, à formação profissional e ao comércio da região”, destaca o executivo.

Com 500 funcionários, a fábrica gaúcha consolidou-se como uma referência global em colheitadeiras dentro da AGCO. Foi a primeira do grupo na América do Sul a implantar o WMS, sistema de gerenciamento de materiais que permite rastrear os componentes desde o recebimento e a produção até a armazenagem e o ponto de utilização, com códigos de barras e sem documentação física. “A combinação de equipamentos automatizados, células robotizadas de soldagem e processos digitalmente controlados permite fabricar componentes complexos com alta repetibilidade e confiabilidade. A fábrica avançou em processos de pintura referência em automatização, com menor emissão de compostos orgânicos voláteis, melhor ergonomia e aumento na capacidade de pintura de peças”, exemplifica o executivo.

A menos de 200 km de Santa Rosa, Panambi é o município gaúcho com maior número de empregos no segmento de equipamentos agrícolas. A cidade registra 5,7 mil postos — o equivalente a 18,2% do total gaúcho — gerados por 35 empresas. É conhecida como a Capital Nacional da Pós-Colheita de Grãos, por abrigar também indústrias especializadas na fabricação de silos, secadores e equipamentos de armazenagem.

Uma delas, a Kepler Webler, emprega 1,3 mil pessoas. Para o diretor Industrial e de Produto da unidade, Fabiano Schneider, a produção de equipamentos pesados para abastecer tanto o mercado brasileiro quanto o internacional no Rio Grande do Sul significa vantagens estratégicas, garantidas pela diversidade da produção agropecuária.

“O Estado tem uma estrutura relevante de armazenagem que, justamente por ser mais madura, também cria demanda por modernização, automação e serviços. Temos um ecossistema industrial construído ao longo de décadas com mão de obra qualificada, conhecimento de engenharia e manufatura, relacionamento com fornecedores e uma cultura industrial muito ligada ao agronegócio”, explica.

Schneider destaca o impacto de demandas geradas por ampliações ou modernizações de fábricas direcionadas ao agro. “Existe contratação de serviços de engenharia, obras, instalações, manutenção, transporte, componentes metálicos, usinagem, tecnologia e uma série de serviços especializados. Isso (…) contribui para manter conhecimento industrial, renda e atividade econômica na região”, afirma, citando o programa de investimentos anunciado pela empresa de Panambi em 2022 com apoio de incentivos fiscais, que previa a contratação de fornecedores gaúchos como parte da expansão da planta e a geração de 120 empregos diretos.

A safra sobre rodas

Atrelado ao segmento rural, setor logístico tem mais de 200 mil trabalhadores no Rio Grande do Sul

José Reis, de Cruz Alta, acumula mais de 50 anos de atividade no transporte de soja e não planeja parar | Foto: Arquivo pessoal

No jargão das estradas brasileiras, "puxar" significa carregar e transportar. E foi puxando toneladas de soja ao longo de mais de cinco décadas que o caminhoneiro autônomo José Reis, 77 anos, se tornou parte da engrenagem responsável pela movimentação do principal item da pauta de exportações gaúcha. Em épocas de colheita e também no restante do ano, ele coleta diariamente cargas de grãos em municípios do Noroeste, como Santa Rosa, Santa Bárbara, Palmeira das Missões, Sarandi e Panambi, e conduz até armazéns em Cruz Alta a produção que depois é destinada ao Porto de Rio Grande por ferrovia. “Também tive caminhão boiadeiro, depois parei. Então, meu ramo é esse aí”, conta o transportador.

A bordo de um caminhão Volvo FH bitrem, modelo 2006, com capacidade de carga útil de 37,5 toneladas, Reis também transporta grãos até terminais de grande porte no porto gaúcho, como Termasa e Tergrasa, em viagens que levam de 10 a 12 horas. “O trânsito é bastante pesado. Aquela coisa de um ir passando pelo outro praticamente não tem mais. Hoje a gente se comporta andando um atrás do outro, para fins de segurança”, afirma o transportador, que já se dedicou à agricultura por 14 anos e se diz familiarizado com o meio rural.

Mesmo aposentado, Reis pretende continuar no volante. Os fretes de produtos agrícolas são estabelecidos com base na tonelada de grãos transportada ou no custo por quilômetro rodado, seguindo a tabela oficial de pisos mínimos, e o custo elevado do diesel espreme as margens de lucro.

“O negócio é apertado lá na lavoura, para o agricultor. E aperta para nós também. Quando a gente começou, (rodávamos) 8 mil, 10 mil quilômetros por mês. Hoje, tu fazes 3 mil, 4 mil km nesse serviço aqui pertinho (na Região Noroeste). Então, a nossa renda fica bem baixa”, explica.

Com a experiência de quem conecta a lavoura gaúcha ao mercado internacional, o caminhoneiro avalia que o Rio Grande do Sul precisa se consolidar não apenas como um fornecedor de commodities primárias. “O que tinha que acontecer era nós estarmos industrializando tudo, para gerar mais riqueza, mais emprego. (Hoje), as firmas estão beneficiando soja”, afirma, citando a instalação a usina de biodiesel Soli3 em Cruz Alta, que está em obras. “Isso é uma coisa que alegra a gente, que mostra que esse é o caminho.”

Na ausência de capacidade de armazenamento, o escoamento da produção agropecuária gaúcha é altamente dependente do modal rodoviário, o que atrela o desempenho do setor logístico ao das propriedades rurais. Entidades do setor atestam essa dinâmica. “O agro vai bem, a logística vai bem”, resume Delmar Albarello, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística no Estado (Setcergs), que reúne em torno de 17 mil empresas. “Nós empregamos mais de 200 mil pessoas diretamente, representamos 20% da economia. Então, é um setor extremamente importante e está muito ligado ao agro.”

Embora a entidade não tenha estimativas do volume total de cargas agrícolas transportadas no Estado, Albarello observa que o consumo anual de óleo diesel no Rio Grande do Sul gira em torno de 4,5 bilhões de litros por ano, o que inclui o além do transporte rodoviário. Apenas a última safra de soja do Estado movimentou em torno de 20 milhões de toneladas de grãos.

“O Rio Grande do Sul não está interligado com nenhum outro estado por ferrovia, só temos uma linha férrea em Cruz Alta. Hoje, atravessamos o Brasil com um caminhão carregado de commodities”, diz afirma o empresário.

Como um exemplo da forte conexão campo-estrada, ele lembra que o setor ainda se recupera do prejuízo “incalculável” das enchentes de 2024. Após a tragédia que afetou lavouras em ponto de colheita e estruturas rurais, muitas transportadoras não voltaram a operar. Agora, os transportadores acompanham com apreensão a evolução do fenômeno El Niño, que pode comprometer a safra de verão e, consequentemente, planos de investimentos. “Não somos especialistas nessas áreas, mas a gente vê e escuta isso. Vamos torcer para que todo mundo consiga plantar”, diz Albarello.

O futuro no biodiesel

Rio Grande do Sul tem atualmente nove usinas de biodiesel, e novos projetos estão em andamento no setor | Foto: Aprobio / Divulgação / RS

Um dos impactos maiores – e menos visíveis – do agronegócio na economia pode ser observado nos setores envolvidos na chamada transição energética. O conflito no Oriente Médio, que levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, pressionou o abastecimento de diesel e deu novo gás à indústria de biocombustíveis, na qual o Rio Grande do Sul desponta como um protagonista. Com 2,24 bilhões de litros registrados no ano passado e 1,48 bilhão de litros de janeiro a agosto de 2026, o Estado é o segundo maior produtor de biodiesel do país, atrás apenas de Mato Grosso.

No setor, as expectativas de crescimento se baseiam na nova Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel para 20% até 2030. Hoje, esse percentual é de 15% de biodiesel, o chamado de B15. O produto é feito principalmente a partir do óleo de soja, mas a canola vem crescendo como alternativa de matéria-prima para o combustível sustentável de aviação (SAF). Neste ano, a área cultivada com a oleaginosa de inverno no Estado foi estimada em 353.397 hectares, o dobro do espaço cultivado em 2025, segundo dados da Emater/RS-Ascar.

Para o presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), Jerônimo Goergen, o biodiesel contribui para o desenvolvimento sustentável, ao agregar valor à produção agrícola e ampliar as oportunidades no interior do Estado.

“O grande efeito multiplicador está em transformar a produção do campo em atividade industrial dentro do próprio Estado. Quando processamos a soja aqui, geramos demanda para produtores, cerealistas, cooperativas, transportadores, armazenagem e serviços. O emprego e a renda dessa cadeia também movimentam o comércio dos municípios”, avalia.

A integração entre lavoura e energia fortalece também fortalece a avicultura, a suinocultura e a pecuária leiteira, já que o esmagamento da soja produz não apenas óleo, mas também farelo para a produção de rações animais. “O aproveitamento de gorduras animais como matéria-prima para o biodiesel também agrega valor à cadeia das carnes, num bom exemplo de economia circular”, diz Goergen. A consolidação das usinas, segundo o executivo, ajuda a amortecer as perdas de renda do produtor em períodos de queda dos preços das commodities.

Atualmente, o Rio Grande do Sul tem nove usinas de biodiesel, entre autorizadas ou em ampliação. São elas Be8 (Passo Fundo), 3Tentos (Ijuí), Oleoplan (Veranópolis), Olfar (Erechim), Bianchini (Canoas), Camera (Ijuí), Cargill N.H. (Cachoeira do Sul), Biofuga (Camargo) e Bocchi (Muitos Capões). Nos próximos anos, segundo a Aprobio, o plano é ampliar a utilização das unidades existentes e estimular a modernização, a eficiência e a busca de novos mercados.

Um exemplo da diversificação do segmento é a fábrica de etanol de cereais da Be8, investimento de R$ 1,5 bilhão que deve começar a operar no início de 2027. A unidade produzirá etanol de cereais, glúten vital (proteína concentrada) e DDGs (coproduto para alimentação animal). “É um projeto que abre novas perspectivas para a industrialização da produção agrícola gaúcha. O aproveitamento de cereais de inverno pode oferecer novas alternativas comerciais ao produtor e estimular atividades associadas ao processamento”, avalia Goergen.

Investimento das cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal, a construção da Soli3 começou neste mês e a usina deverá entrar em atividade em maio de 2028. “Já temos praticamente todos os créditos garantidos, passando de R$ 1 bilhão para consolidar”, diz o presidente da Cotrijal, Nei Manica. A planta processará 1 milhão de toneladas de soja por ano (3 mil toneladas por dia), capacidade que será duplicada em uma segunda fase. Além de converter o grão em biodiesel, farelo e óleo degomado, poderá ser adaptada para operar com canola no futuro.

O segundo Manica, o terminal ferroviário integrado à usina possibilitará o escoamento até o Porto de Rio Grande e abrirá espaço para novos negócios.

“No retorno, a gente consegue trazer o fertilizante, diminuindo o custo de logística. Então, é um projeto que vai transformar a região, mostrando que é possível as cooperativas, se unindo, fazerem esses projetos industriais para agregação de valor”, afirma.