Expodireto

Na Expodireto Cotrijal, BRDE investe em linhas de créditos, com destaque para complexo de biodiesel

Maior demanda por crédito para investimentos foi nos setores de armazenagem, agroindústria e produção de energia com fontes renováveis

Ato com a presença do governador Eduardo Leite na terça-feira, da aprovação da linha de crédito no valor de R$ 300 milhões para o projeto liderado pela Soli3
Ato com a presença do governador Eduardo Leite na terça-feira, da aprovação da linha de crédito no valor de R$ 300 milhões para o projeto liderado pela Soli3 Foto : Vitor Rosa / Divulgação / CP

Ampliando o apoio nos financiamentos do campo, o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que possui 50% de negócios voltados ao agronegócio nos últimos anos, investiu milhões em linhas de crédito em mais uma edição da Expodireto Cotrijal, que encerra nesta sexta-feira em Não-Me Toque, na região Norte.

O grande negócio feito na feira foi a aprovação da linha de crédito de R$ 300 milhões para o projeto liderado pela Soli 3, considerada uma das maiores plantas de biodiesel do Sul do Brasil, com intercooperação das cooperativas Cotrijal, Cotripal e Cotrisal. O complexo industrial a ser instalado em Cruz Alta prevê investimento total de R$ 1,25 bilhão, e a unidade terá capacidade de processar até três mil toneladas de soja por dia.

“Vão gerar milhares de empregos. Além disso, o planejamento é esse, vão ter processamento de até 3 mil toneladas de soja por dia. Isso dá quase 1 milhão de toneladas por ano. O BRDE cumpre sua missão de fomentar o desenvolvimento econômico e social, financiando aproximadamente um quarto desse investimento todo”, diz o diretor de operações do BRDE, Ranolfo Vieira Júnior. Ele lembra que o valor do financiamento foi maior do que todo o investido na edição do ano passado, que chegou a R$ 278,7 milhões.

Momento de cautela

Diante do cenário de dificuldades pelas quais passam os agricultores, por conta do endividamento e dos prejuízos decorrentes dos sucessivos eventos climáticos extremos, Ranolfo concordou que o momento foi de cautela, e que isso impactou na redução da busca pelos financiamentos. Entre os desafios, ele destacou a dificuldade do crédito com a atual taxa Selic, em 15% ao ano. “Isso representa que, na melhor das hipóteses, se precisar de financiamento, tu vais ter que pagar 23%, 24% de juro ao ano”, calcula.

Nos últimos dias, a intensificação da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, com o fechamento do Estreito de Ormuz, tem impactado a distribuição de combustível, especialmente no óleo diesel para a colheita da safra, além de parte de fertilizantes utilizados na produção que passam por lá. Isso foi outro fator decisivo para a busca pelos créditos.

Outros negócios ainda devem ser fechados

Antes da feira, o banco trabalhava com a expectativa de chegar a R$ 300 milhões em negócios. “Alguns já se concretizaram, outros não. Não temos o balanço ainda”, afirma o diretor de operações. Ainda, lembrou que muitos negócios se concretizam em um período posterior.

Outra participação importante do banco foi na Arena Agro Digital, marcando presença no hub de investimentos em inovação para financiamentos de startups, em conjunto com a Invest RS e o Badesul. “Imagina o que nós produzimos 10 anos atrás, a produtividade e o que se produz hoje. A qualidade que tinha e a qualidade que se tem hoje. Isso tudo é graças à inovação, à tecnologia”, destaca.

Entre a maior demanda por crédito para investimentos, estiveram buscas nos setores de armazenagem, agroindústria e produção de energia com fontes renováveis. Dos contratos assinados com cooperativas, Ranolfo destaca quatro financiamentos com a Cresol, para máquina, colheitadeira, conserto de colheitadeira e a construção de um galpão em propriedades rurais.

O diretor de operações ressaltou que investimentos em pequenos negócios auxiliam no fomento do desenvolvimento econômico e social. “Fazem a diferença. Para quem é grande, uma colheitadeira não é nada. Mas para quem tem uma pequena propriedade rural, uma colheitadeira é um avanço”, diz.


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