A expectativa de uma safra melhor no Estado, mesmo com a falta de chuva em determinadas regiões, traz alento para o agronegócio depois de duas safras frustradas pela estiagem.
“Após um período de aproximadamente cinco anos de retração no setor, a expectativa agora é extremamente positiva, de uma edição muito melhor do que nos últimos três anos, no sentido de boas safras e, consequentemente, boas vendas”, afirma o presidente do Simers, Cláudio Bier.
Apesar do otimismo, a indústria cobra por mudanças nas políticas públicas. “Temos um diferencial competitivo para produzir alimentos, mas a agricultura é uma indústria a céu aberto. Não podemos depender de linhas de créditos comerciais. Precisamos de um Plano Safra com juros baixos para que esses riscos possam ser amenizados”, assinala a vice-presidente do Simers, Carolina Rossato. O sindicato reforça ainda o perfil cíclico do setor agrícola, que depende de clima e câmbio, e onde a cotação do dólar impacta desde o plantio, passando pela colheita, até o preço de venda.
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) é mais cautelosa quando o assunto é comercialização. “Deverá ser uma ótima feira, com muita visitação, mas as vendas devem ser contidas. Não temos perspectiva de vender muito mais que no ano passado”, afirma o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA) da Abimaq, Pedro Estevão Bastos, lembrando que o segmento amargou 15% de queda no Show Rural Coopavel, realizado em Cascavel (PR) em fevereiro.
Mesmo comedido, Bastos destaca a importância da feira ao lembrar que um terço dos contratos anuais de financiamento fechados por um dos principais bancos financiadores do agro é resultado de negociações neste tipo de evento.
“A feira funciona como um canal de vendas, assim como as revendas. É um ponto de encontro direcionado a fazer negócios ao reunir fabricantes, agricultores e instituições financeiras”, diz.
Além disso, ele explica que as negociações costumam ser vantajosas para quem compra em razão de promoções de fabricantes e bancos. Indústrias por vezes subsidiam juros e alguns bancos cobram taxa flat menor, que é o valor que incide sobre o total de financiamentos.
Oferta de soluções financeiras diferenciadas
As indústrias de máquinas e equipamentos agrícolas chegam na Expodireto Cotrijal com soluções financeiras diferenciadas como estratégia para atrair compradores em um cenário de juros e inadimplência. A indiana Mahindra, que desde 2012 tem uma fábrica em Dois Irmãos, chega a Não-Me-Toque com condições especiais por meio da Mahindra Finance, em parceria com o banco DLL. A expectativa é positiva, pois a inadimplência tem se mantido estável, em torno de 2,5% da carteira total. Além disso, a Mahindra vem ampliando o relacionamento com instituições financeiras, incluindo bancos tradicionais e cooperativas de crédito com atuação regional.
“Buscamos oferecer soluções de financiamento mais adequadas ao perfil de cada produtor”, explica Martin Fallgatter, CFO da Mahindra Brasil.
Diferentes alternativas financeiras são apostas da Massey Ferguson, multinacional do grupo AGCO, com matriz nos EUA. O banco de fábrica AGCO Finance disponibiliza linhas de acordo com o perfil do cliente, abrindo até a possibilidade de carência para pagamento e financiamento em moeda estrangeira. As concessionárias da marca também chegam à Expodireto com condições específicas. Há ainda a modalidade de consórcio, utilizada por produtores que planejam a renovação de frota.
“Mais do que incentivar uma decisão imediata, nossa estratégia é demonstrar que investir em tecnologia no momento certo pode gerar ganho imediato de eficiência, redução de desperdícios e aumento de rentabilidade, especialmente em um cenário de margens cada vez mais apertadas”, reforça o diretor de Marketing da Massey Ferguson, Breno Cavalcanti.
Assim como outras empresas do setor, a multinacional John Deere investe no relacionamento com os agricultores como forma de estimular negócios.
“Conhecemos bem os ciclos do setor e mantemos uma atuação consistente, reforçando nossa posição como parceiro de longo prazo do produtor”, explica o diretor de Experiência do Cliente do Banco John Deere, Sérgio Moreira.
A marca trabalha com as linhas do Plano Safra, Moderfrota Pronamp e Moderfrota Empresarial. Além disso, desenha soluções específicas para aquisição de peças e serviços como forma de permitir que o cliente mantenha seu equipamento operando com alta performance. Nas vendas que envolvem financiamento, o momento exige ainda mais proximidade com o cliente. “Ao conhecer bem sua realidade, conseguimos entender as necessidades específicas e estruturar a melhor solução financeira para cada caso, ajustando carência, prazo, valor de entrada e formato de pagamento de acordo com o momento do produtor”, observa Moreira.
A LS Tractor, do Grupo sul-coreano LS Mtron, chega à feira com uma rede de revendas reforçada e apostando na modalidade consórcio como forma de estimular as vendas. Lançado em 2025 na Expointer, o consórcio da marca garante 120 contemplações de fábrica nos 12 primeiros meses, ou seja, 10 quotas por mês até agosto de 2026. São 120 meses de pagamento e isenção de taxa de adesão. Com custos menores do que financiamentos tradicionais, a modalidade também não compromete o índice de endividamento do produtor, detalha o diretor comercial da LS Tractor, Felippe Vieira. A empresa também trabalha com agentes financeiros que atuam com locação de equipamentos agrícolas.
“O mercado está crescendo. Mesmo os produtores que não consigam adquirir um trator em função do endividamento conseguem locar”, destaca.