O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) realizou o talk show “A Voz das Mulheres Arrozeiras do Agro”, durante a programação especial da 49ª Expointer nesta segunda-feira na Casa do Irga, no Parque de Exposições Assis Brasil. A intenção foi dar visibilidade ao protagonismo feminino, à gestão e à presença das mulheres na produção de arroz e no agronegócio. A diretora técnica do Irga, engenheira agrônoma Flávia Miyuki Tomita, destacou a importância das mulheres no agronegócio.
“Elas atuam em diferentes áreas e conciliam as atividades profissionais com os afazeres domésticos”, afirnou Flávia que, em setembro de 2021, tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de diretora técnica na história da autarquia. Ela ainda salientou que a mulher do agronegócio atua com destaque e protagonismo em todas as etapas produtivas. Já o presidente do Irga, Alexandre Azevedo Velho, ressaltou que a atividade representou um marco na programação da Casa do Irga.
"São mulheres produtoras, oriundas de famílias de produtores, que fizeram inovações importantíssimas no agronegócio”, frisou. Segundo ele, as produtoras lideram fazendas, cooperativas e empresas do setor, cuidando de finanças, planejamento e tecnologia. A consultora de Marketing e produtora Angela Azevedo Velho é filha e neta de arrozeiros. “Nasci em uma lavoura de arroz”, brincou. Ela afirmou que as mulheres contribuem e “ainda têm muito por fazer” no meio rural. “Meus avós me ensinaram que, acima de tudo, é preciso produzir bem”, disse.
Manteiga hidratante
Já a advogada e produtora rural Daniela Rocha aprendeu a amar o agronegócio aos 14 anos. “São 27 anos de muito amor”, admitiu. Casada e mãe de dois filhos, ela teve a ideia de agregar valor ao arroz produzido na propriedade rural da família. Em fevereiro, criou uma empresa de cosméticos com produtos à base de arroz, entre eles a famosa manteiga hidratante. Sua família é produtora de arroz há mais de seis décadas e ela, uma empreendedora que uniu tradição e inovação.
“Agreguei valor ao nosso arroz. Na Expointer lançarei uma edição especial de cosméticos à base de arroz em homenagem às mulheres, na figura da revolucionária Anita Garibaldi", afirmou. A engenheira agrônoma Clarissa Rohde Lopes Peixoto, por sua vez, disse que aprendeu a amar a pecuária com o avô paterno e as lavoura com o avô materno. “Hoje sou avó e procuro repassar os ensinamentos para meus netos. Sempre gostei das lavouras de arroz e trabalho com metas, do plantio ao beneficiamento, com vistas ao preço final”, ressaltou.
Farinha de arroz
As lavouras de arroz entraram na vida de Lívia Pinzon de Carvalho aos 24 anos, quando casou com um produtor rural e trocou a moradia na capital gaúcha por uma fazenda em Palmares do Sul. Formada em Direito, não tinha qualquer experiência com o meio rural até que um funcionário da propriedade desapareceu. “Foi neste momento que precisei aprender a trabalhar na produção do arroz”, frisou.
Hoje Livia é diretora social da Associação dos Arrozeiros de Palmares do Sul, Capivari do Sul, Osório, Cidreira e Balneário Pinhal, liderando ações de valorização do setor orizícola no Litoral Norte. Ela participa ativamente de projetos voltados ao incentivo ao consumo do cereal e de seus subprodutos e foi responsável pelas iniciativas que resultaram na inclusão da farinha de arroz na merenda escolar e em cestas básicas.