A presença do conhecimento acadêmico nos grandes eventos do agronegócio é fundamental para aproximar a ciência das demandas reais do campo. Na Expointer deste ano, o trabalho desenvolvido na bubalinocultura pela UFRGS ganha destaque ao mostrar como a integração entre ensino, pesquisa e extensão impacta diretamente o setor produtivo.
A atuação ganha força pela parceria com a Associação Sulina de Criadores de Búfalos (Ascribu) e pelas atividades do Grupo de Estudos em Bubalinos da UFRGS (Gebu). A zootecnista e representante do Gebu Vitória Leite Di Domenico conta que, em 2018, produtores doaram animais para o início do rebanho da Estação Experimental Agronômica da universidade.
“O rebanho bubalino conta com aproximadamente 70 animais e funciona como uma unidade demonstrativa para produtores dentro da universidade, tendo como foco principal a produção de leite, o desenvolvimento de pesquisas e atividades práticas em diversas disciplinas”, salienta.
Segundo ela, os resultados das pesquisas com os búfalos passaram a ser compartilhados por meio de dias de campo, visitas técnicas e outras ações de extensão, permitindo que o conhecimento gerado chegasse ao campo e, ao mesmo tempo, que as demandas dos produtores orientassem novas pesquisas. “São desenvolvidos estudos em diferentes áreas, como qualidade do leite, produção de derivados, reprodução, genética, nutrição, comportamento, bem-estar, sanidade e mercado”, conta.
No ensino, o rebanho é utilizado em aulas práticas da graduação e da pós-graduação, permitindo que os estudantes tenham contato direto com o manejo dos animais. “Os manejos e a gestão do rebanho são realizados pelos alunos com apoio dos técnicos e professores. Essa vivência é fundamental para complementar a formação teórica e preparar profissionais”, observa Vitória. Já na parte da extensão, ocorrem na unidade visitas técnicas e capacitações.
Visibilidade
Tudo isso deve ser demonstrado na Expointer tanto para o público geral como para o especializado. “Muitas pessoas não sabem que a UFRGS possui uma estação experimental onde são desenvolvidas pesquisas, muito menos que há um rebanho bubalino. Então, estar na Expointer permite dar visibilidade a esse trabalho, mostrando que a universidade produz conhecimento científico, forma profissionais capacitados e desenvolve soluções que retornam à sociedade e ao setor produtivo”, salienta, avaliando que a participação na feira é ainda uma grande responsabilidade para o grupo.
“Mas é algo que a gente faz com muito orgulho”, destaca.
Além disso, na opinião da pesquisadora, a feira aproxima a universidade de produtores, empresas, associações, instituições de pesquisa e outros órgãos públicos. “Esse contato favorece a troca de experiências e a construção de novas parcerias, que fortalecem a bubalinocultura no Rio Grande do Sul e no Brasil.”
Confira a entrevista completa da zootecnistaVitória Leite Di Domenico
Como surgiu a parceria da UFRGS e com a Ascribu e qual a importância de manter um rebanho de búfalos dentro de uma estação experimental?
A parceria entre a UFRGS e a ASCRIBU começou a ser construída a partir das atividades voltadas à bubalinocultura dentro da Universidade, especialmente com a realização dos simpósios sobre búfalos e, posteriormente, com a criação do Grupo de Estudos em Bubalinos (GEBU), em 2017. Essas iniciativas evidenciaram uma demanda por conhecimento na área, tanto pelo interesse dos estudantes em aprender sobre manejo e produção de búfalos de forma prática, quanto dos produtores que também buscavam maior suporte técnico para a atividade.
Logo, em 2018, por intermédio da ASCRIBU, alguns produtores doaram animais para o início do rebanho da Estação Experimental Agronômica da UFRGS (EEA-UFRGS), a fazenda da UFRGS que fica localizada no município de Eldorado do Sul. Assim, o nosso rebanho iniciou suas atividades com nove fêmeas e um reprodutor cedido por empréstimo.
Atualmente, o rebanho bubalino da EEA-UFRGS conta com aproximadamente 70 animais e funciona como uma unidade demonstrativa para produtores dentro da Universidade, tendo como foco principal a produção de leite, o desenvolvimento de pesquisas e atividades práticas em diversas disciplinas.
Além disso, a presença do rebanho permite que o conhecimento gerado na universidade seja transferido aos produtores por meio de dias de campo e outras ações de extensão, fortalecendo a integração entre Universidade, a ASCRIBU e os produtores.
Que aprendizados a universidade já obteve a partir desse rebanho experimental?
Acredito que o principal aprendizado está relacionado com a importância da prática na formação dos alunos e na geração de conhecimento. A partir do início do rebanho, a UFRGS passou a oferecer aos estudantes da graduação e da pós-graduação a oportunidade de vivenciar o manejo dos búfalos, desenvolver pesquisas e compreender, na prática, as particularidades dos bubalinos.
Além da parte prática e científica, que também é de grande importância, outro aprendizado foi o fortalecimento da relação entre a Universidade e os produtores. Os resultados das pesquisas com os búfalos passaram a ser compartilhados por meio de dias de campo, visitas técnicas e outras ações de extensão, permitindo que o conhecimento gerado chegasse ao campo e, ao mesmo tempo, que as demandas dos produtores orientassem novas pesquisas.
Que tipos de pesquisas e atividades acadêmicas são desenvolvidas com esses animais?
Na pesquisa, são desenvolvidos estudos em diferentes áreas, como qualidade do leite, produção de derivados, reprodução, genética, nutrição, comportamento, bem-estar, sanidade e mercado. Dentro dessas áreas, são desenvolvidos trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado, teses de doutorado, artigos científicos e apresentações em eventos técnicos e acadêmicos. Hoje, já é possível acessar diversos trabalhos e artigos que foram gerados a partir de estudos com o nosso rebanho.
No ensino, o rebanho é utilizado em aulas práticas da graduação e da pós-graduação, permitindo que os estudantes tenham contato direto com o manejo dos animais. Inclusive, os manejos e a gestão do rebanho são realizados pelos alunos com apoio dos técnicos e professores. Essa vivência é fundamental para complementar a formação teórica e preparar profissionais.
E na extensão, as nossas búfalas participam de dias de campo, visitas técnicas e capacitações. A extensão é a forma de retornar o conhecimento gerado pelas pesquisas para a sociedade.
Qual a importância de apresentar ao público da Expointer um trabalho científico que muitas vezes fica restrito ao ambiente acadêmico?
A Expointer é uma das maiores vitrines do agronegócio brasileiro e, para nós, como Universidade, participar desse evento vai muito além da exposição dos animais. É uma oportunidade de apresentar à sociedade o trabalho que a UFRGS, a EEA e o GEBU desenvolvem.
Muitas pessoas não sabem que a UFRGS possui uma estação experimental onde são desenvolvidas pesquisas, muito menos que há um rebanho bubalino. Então, estar na Expointer permite dar visibilidade a esse trabalho, mostrando que a Universidade produz conhecimento científico, forma profissionais capacitados e desenvolve soluções que retornam à sociedade e ao setor produtivo. É uma grande responsabilidade para o nosso grupo, levar o nome da UFRGS para a Expointer. Mas é algo que a gente faz com muito orgulho!
Além disso, a feira aproxima a Universidade de produtores, empresas, associações, instituições de pesquisa e outros órgãos públicos. Esse contato favorece a troca de experiências e a construção de novas parcerias, que fortalecem a bubalinocultura no Rio Grande do Sul e no Brasil.