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Entenda os benefícios do manejo outonal

Prática controla plantas daninhas antes da próxima semeadura

Outono é uma estação favorável para o controle
Outono é uma estação favorável para o controle Foto : Marcio Gomes de Souza / Embrapa / Divulgação / CP

O manejo outonal consiste no controle das plantas daninhas remanescentes da cultura recém-colhida, além daquelas provenientes de sementes com potencial de germinação, antes do estabelecimento das culturas de inverno no Sul do Brasil. O objetivo é reduzir os danos e a proliferação dessas plantas antes da implantação da próxima cultura. Apesar dos benefícios da prática, muitos produtores ainda consideram encerrado o ciclo da cultura logo após a colheita.

“Um manejo eficiente reduz a infestação e o banco de sementes. Já um controle ineficiente pode deixar um problema que será levado para a próxima safra. A colheita encerra um ciclo, mas não encerra o manejo”, alerta o engenheiro agrônomo e autor da Cartilha de Pragas Quarentenárias, elaborada pela Corteva, Mauro Rizzardi.

O manejo outonal tem como alvo algumas espécies de plantas daninhas que apresentam resistência ou tolerância aos principais herbicidas. Entre elas estão a buva, o capim-pé-de-galinha, o capim-amargoso, o capim-rabo-de-burro, a poaia, a vassourinha-de-botão e a trapoeraba.

Segundo o engenheiro agrônomo, muitos produtores ainda cometem o erro de realizar a semeadura de uma cultura de interesse econômico ou de uma cultura de cobertura para proteção do solo sem eliminar adequadamente as plantas daninhas remanescentes da cultura anterior. “Essas plantas, quando não controladas, continuarão se desenvolvendo e poderão se tornar um sério problema durante o período de entressafra, dificultando o manejo e aumentando a infestação na área antes da semeadura das culturas de verão, como milho e soja”, afirma.

Por isso, o outono é uma estação favorável para o controle das plantas daninhas, pois, em muitos casos, elas se encontram em estágios iniciais de desenvolvimento. “De maneira geral, quanto menor e mais jovem a planta, maior tende a ser a eficiência do controle, especialmente quando as condições ambientais são favoráveis à ação dos herbicidas”, afirma Rizzardi.

Além disso, a remoção de grande parte da área foliar de espécies gramíneas, como o capim-pé-de-galinha e o capim-amargoso, representa uma oportunidade importante de manejo. O início do rebrote, marcado pela retomada do crescimento e pela presença de tecidos jovens e ativos, também favorece o controle.

“Nesse momento, o monitoramento e a aplicação no estágio adequado são fundamentais para aumentar a eficiência do manejo e reduzir a possibilidade de estabelecimento e produção de sementes dessas espécies”, explica. Nesse contexto, a utilização de herbicidas pode ser mais eficiente, com mecanismos de ação diferentes daqueles empregados seletivamente dentro das culturas.

O manejo outonal é mais uma das ferramentas das Boas Práticas Agrícolas que demonstra que a máxima de que é melhor prevenir do que remediar continua atual. Conforme o engenheiro agrônomo, a medida antecipa problemas, reduz a necessidade de intervenções futuras e contribui para um sistema de produção mais eficiente e sustentável.

“Ao adotar essa estratégia, o agricultor interfere no ciclo das plantas daninhas em um momento mais adequado para o controle, quando elas estão mais suscetíveis às práticas de manejo. Com isso, é possível obter maior eficiência de controle, reduzir a pressão de infestação e otimizar os custos da operação, além de contribuir para o planejamento do manejo das áreas”, finaliza.