Expointer

Estreantes se preparam para o Pavilhão na Expointer 2026

Entre os 509 empreendimentos da agricultura familiar na feira de Esteio, estão 72 que participam pela primeira vez do espaço

Ismael e Katia esperam novas oportunidades na Expointer 2026
Ismael e Katia esperam novas oportunidades na Expointer 2026 Foto : Katia Cibele Reichert / Divulgação / CP

A surpresa dos clientes ao descobrirem que os produtos são fabricados com queijo de ovelha é uma das apostas de Katia Cibele Reichert para a primeira participação da agroindústria Ovelha Arteira no Pavilhão da Agricultura Familiar na Expointer. “As pessoas acham que a gente só escolheu um nome divertido e pensam que o leite é de vaca. Então, a gente explica, e isso faz muita diferença na hora de vender, porque desperta curiosidade e, quando os consumidores percebem que é de leite de ovelha, eles experimentam e normalmente levam”, conta.

Em meio a produtos coloniais, bebidas e alimentos artesanais, ela pretende apresentar uma produção que começou durante a pandemia. Em 2020, Katia e o marido, Ismael Michaelsen, buscavam uma maneira de tornar a propriedade, em Picada Café, mais produtiva. A escolha foi pelas ovelhas da raça francesa Lacaune e sua produção de laticínios, como explica a produtora. Quatro anos depois, decidiram ampliar o rebanho de 24 ovelhas, que agora está em torno de 90 animais e produz cerca de 20 litros diários, com 13 ovelhas em lactação. A matéria-prima vira queijo fresco, queijo maturado, doce de leite e iogurte natural sem açúcar.

“Para a Expointer, possivelmente nós vamos levar um maturado de 60 dias e um maturado de 15 dias. Também produzimos queijo fresco autoral, ele é parecido com o queijo Minas Frescal, mas ele é único, por apresentar um sabor diferente, mais marcante. Se tudo der certo, a gente vai estar buscando a liberação de um queijo tipo gorgonzola, que seria o lançamento da Expointer”, diz Katia. Ela espera novas oportunidades de negócio através da visibilidade.

Vitrine

O presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti, considera a Expointer uma vitrine para o setor. “Entrar no pavilhão sem comprar pelo menos um produto é quase impossível”, destaca o dirigente. Para as pequenas agroindústrias, observa Zanetti, a feira é a oportunidade de atingir novos mercados e muitas geram no evento receitas suficientes para garantir sua operação ao longo de um ano inteiro.

Neste ano, o Pavilhão da Agricultura Familiar terá 509 expositores, sendo 497 empreendimentos gaúchos, de 218 municípios. Entre eles, 179 têm mulheres à frente das atividades, 265 contam com a participação de jovens e 69 possuem certificação orgânica, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural.

Pablo Dalpubel produz e vende vinhos, sucos e espumantes | Foto: Camila Cunha/ CP Memória

Degustações

Entre os 72 estreantes do Pavilhão, está Pablo Dalpubel, da Vinícola Dalpubel. “Todo mundo fala que é a rainha das feiras. É a melhor feira que tem, a maior e, com certeza, a mais reconhecida, não só aqui no Estado, mas em todo o Brasil.” Com a oportunidade de oferecer degustação dos sucos, vinhos e espumantes, Dalpubel espera ampliar sua comercialização e clientela. “A degustação é importantíssima para as pessoas conhecerem o produto, para virem a comprar depois, quando acharem numa prateleira de mercado. Então a gente está com uma expectativa enorme”, comenta.

A produção de vinho existe desde a época do bisavô, mas Dalpubel seguiu um caminho inusitado antes de retornar ao cultivo de uvas, tendo jogado futebol profissionalmente em clubes do Rio Grande do Sul e na Alemanha. Ao voltar para o município de Santa Tereza, na região do Vale do Taquari, teve a iniciativa de ampliar a produção e sua comercialização, que avalia como lucrativa, dependendo do cultivo.

“É muito rentável, claro, variando de pessoa para pessoa. Se fosse ter que comprar a uva, ficaria mais complicado, mas, como a gente tem toda a produção da uva, que é a coisa mais cara da vinícola, então acaba se tornando um bom negócio e a gente hoje trabalha em família.”

Atualmente, a vinícola utiliza 30% dos frutos no processamento. “Eu consigo moer e transformar em vinho, e o resto, 70%, é vendido para vinícolas maiores. Os vinhos são elaborados todos na vinícola e os espumantes são terceirizados. A uva é nossa, a gente entrega a uva e a vinícola parceira produz, o suco a mesma coisa”, explica o jovem de 25 anos. O trabalho feito pela família, dentro dos 9 hectares de parreirais, gera em torno de 22 mil litros de vinho produzidos na vinícola, com comercialização anual de cerca de 70 mil litros, contabilizando os produtos terceirizados. Já a produção de uvas na propriedade é de 220 mil a 250 mil quilos por ano. A comercialização em feiras iniciou há quase um ano, e a participação de jovens na produção é considerada incomum por Dalpubel na região.

“O parreiral é muito difícil de começar a produzir, precisa de terra e outros utensílios que são caros. E tu começa a produzir dois ou três anos depois de iniciar o cultivo. Então é um investimento em longo prazo. Além disso, é tudo manual. Existem materiais que auxiliam, mas precisa do trabalho braçal para poda, para amarrar e principalmente para retirar; na nossa região é difícil trabalhar com maquinário por ser uma área muito inclinada. Então é muito raro ver jovens no interior, na minha região”, relata.

*Sob a supervisão de Karina Reif.