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Expointer 2026: bovino que “parece biscoito” volta após 19 anos de ausência; outra estreante nacional desiste

Raças Galloway e Senangus vivem realidades distintas na feira de Esteio

José Antônio de Andrade Neto
José Antônio de Andrade Neto Foto : Fabiano do Amaral

Duas raças de bovinos vivem situações bem distintas na Expointer 2026. Enquanto uma retorna à feira depois de 19 anos, outra desistiu de sua participação, segundo a cabanha responsável, “em protesto” contra a organização devido ao seu posicionamento no pavilhão. A adição na edição de 2026 é da raça Galloway, cuja última presença até então foi em 2007. A responsável por este retorno é a Cabanha da Confiança, do município de Capão Bonito do Sul, do nordeste gaúcho, que trouxe quatro exemplares.

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Seu grande campeão de 2026, Benjamin, já é conhecido. O projeto, segundo o proprietário José Andrade Neto, exigiu anos de trabalho e inclusive a importação de material genético. A raça em si é antiga, havendo registros globais desde, ao menos, o século 16, na região escocesa de mesmo nome. Nas Américas, a Galloway veio via Canadá e Estados Unidos, chegando ao Rio Grande do Sul pela Argentina e Uruguai, a partir dos anos 1950.

No RS, estima-se haver 400 exemplares, divididos em dois núcleos produtivos: o original, na fronteira gaúcha com o Uruguai e a Argentina; e o serrano, do qual faz parte a Cabanha da Confiança, abrangendo o Norte e Nordeste gaúcho, mais o Centro-Sul de Santa Catarina. “A característica desta raça é ser de cor preta e possuir uma faixa branca na barriga até a virilha que o torna bem característico, parece um biscoito”, comentou Andrade, salientando ainda o alto potencial comercial, com marmoreio “excepcional”, parecido com o da raça Wagyu.

O retorno à Expointer, ainda conforme Andrade, também é devido à criação da Associação Brasileira de Criadores de Galloway (ABCG), fundada em 2024, justamente para organizar os criadores, superar os custos e burocracias de início e ajudar a deslanchar a raça no mercado nacional, com forte demanda especialmente de pecuaristas da região Centro-Oeste do país.

"Não foi a repercussão que gostaria de ter”, diz criador de Senangus

O contraste fica por conta da raça Senangus, recentemente classificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com os primeiros registros formais em julho deste ano. Raça sintética taurina composta por 50% de Senepol e 50% de Angus, ela viria pela Cabanha Ematholu, de Triunfo, na região Metropolitana, que pretendia fazer na Expointer 2026 sua estreia nacional.

Com quatro animais cadastrados, a Senangus terá de esperar até o ano que vem para ser vista na feira de Esteio, justificada, segundo o proprietário da cabanha, Emanuel Penha, pela “falta de organização” da própria feira. “Foi a única raça que não teve uma argola no corredor central, então nos jogaram para a localização do último corredor, no lado oposto ao da pista, e ainda com um gerador obstruindo parcialmente. Não foi a repercussão que eu gostaria de ter”, lamentou Penha, cuja cabanha também é especialista na Senepol, e acabou trazendo exemplares desta para a feira de Esteio.

Com o cancelamento da participação na edição de 2026, a Senangus deve ter sua estreia no Paraná, em outubro. Apesar das críticas, a raça deve estar garantida na Expointer na edição de 2027. A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação e Produção Sustentável (Seapi) não foi localizada para se manifestar a respeito das críticas.

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