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Safra de verão deve ter redução de 0,37% de área plantada, com destaque para o milho, estima Emater

Expectativa é de que cultura tenha salto de 7,42% em relação à última temporada; produção terá aumento de 8,64%

Dados foram apresentados nesta terça-feira pelo diretor-técnico da Emater, Mateus Soares da Rocha, na Expointer
Dados foram apresentados nesta terça-feira pelo diretor-técnico da Emater, Mateus Soares da Rocha, na Expointer Foto : Alina Souza

Em meio à atuação do El Niño, o Rio Grande do Sul espera uma temporada de verão com aumento na produção, mas pouca redução de área plantada na safra 2026/2027. A estimativa da Emater/RS é de que haja uma retração de 0,37%, com 8.459.628 hectares. O destaque está no milho, cultura que prevê maior aumento de área. Quanto à produção, a estimativa é de 35,6 milhões de toneladas no Estado, um aumento de 8,64% em relação à safra anterior. Os dados foram apresentados nesta terça-feira pelo diretor-técnico da Emater, Mateus Soares da Rocha, na Expointer. O período de levantamento dos dados foi de 10 a 24 de agosto.

Milho

O milho poderá chegar ao terceiro ciclo de safra considerada favorável no Estado. A previsão é de um aumento de 7,42% de área plantada em relação ao ano anterior, com 896.401 hectares, produtividade de 7.711 quilos por hectare e produção de 6.911.954 toneladas. O destaque está para a região de Santa Rosa e Ijuí, com áreas que ultrapassam 100 mil hectatres. Já no milho silagem, a área plantada terá uma pequeno salto, de 0,19%, com 369.389 hectares.

Soja

Principal cultura no agro gaúcho, a soja tem previsão de salto positivo de 15,32% na produção, com 21.151.135 toneladas. Se prevê uma redução de 0,92% de área plantada, com estimativa de 6.645.384 hectares, 60 mil menos ante a safra anterior. Com discrepância de produção entre as regiões, a predominância está na Fronteira Oeste, com destaque para Bagé, com área de 1.020.000 hectares, em meio a dificuldades climáticas acentuadas da safra anterior.

Feijão

A maior redução de área plantada está no feijão, com redução de 6,36% para a primeira safra, de 24.587 hectares para a temporada. O destaque está para Caxias do Sul, grande produtora da cultura, com mais de 10 mil hectares de área. Quando se fala em produtividade, a estimativa é de aumento de 8,10% ante o ano passado, com 1.759 quilos por hectate. A previsão de produção é de de 43.244 toneladas (+1,20%).

Arroz

Para o setor orizícola gaúcho, a redução prevista de área plantada é de 3,4%, conforme a intenção da safra projetada pelo Irga, e que foi apresentada nesta segunda-feira. A estimativa é de 861.779 hectares, produtividade de8.741 quilos por hectare (-2,21%) e produção de 7.533.037 toneladas, retração de 2,21% em comparação com o ano passado.

Terceira supersafra

Na avaliação do diretor-técnico da Emater, a previsão do Estado chegar em uma terceira supersafra é positiva, apesar do cenário de atuação do fenômeno climático. Ele destacou a importância de pensar em manejos de solo e das águas na propriedade. "A gente não tem mais como falar de safras futuras sem pensar em conhecer o que temos de disponibilidade hídrica dentro da propriedade, principalmente fazer a gestão do nosso solo. Ter um solo adequado e preparado é essencial para qualquer cultura, seja ela de verão ou de inverno". As leituras locais da Emater auxiliam na capilaridade dos resultados, ressaltou Rocha.

Apesar das previsões, não é possível afirmar que o produtor trocou a soja por milho, mas que está buscando a cultura pela segurança.

"O milho tem uma resposta mais adequada. A diminuição da soja, a gente estima muito a questão da dificuldade de acesso ao crédito. O produtor, mesmo com toda a questão da medida provisória, ainda não está favorável para o acesso ao crédito. Isso faz com que tenha essa redução de área e de tecnologia implantadas nas lavouras."

Meteorologista Flávio Varone, do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), apresentou prognósticos climáticos para o Estado | Foto: Alina Souza

Clima

Com o El Niño instalado, os próximos meses devem ser de atraso na semeadura, alta temperatura e muita umidade. Consequentemente, há um excesso de chuva, diminuição da luminosidade e uma operação dificultada no campo, de acordo com prognósticos do meteorologista Flávio Varone, do Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS).

Está previsto o aquecimento da temperatura da superfície do Pacífico Equatorial para setembro, outubro, novembro e dezembro. A primavera será de precipitação acima da média, temperaturas acima do superior em todo o Estado e sem previsão de geadas tardias. A probabilidade é de que o El Niño atue de maneira forte, pelo menos, até o primeiro trimestre de 2027.