Expointer

Tradição e inovação estão presentes no Pavilhão da Agricultura Familiar da Expointer

Produtos são resultantes de experiências a partir de receitas e ingredientes que atravessam gerações de agricultores

Everson Dias já vendeu 100 baldes de banha na Expointer 2026
Everson Dias já vendeu 100 baldes de banha na Expointer 2026 Foto : Fabiano do Amaral

O 28º Pavilhão da Agricultura Familiar reúne diferentes empreendimentos que, apesar das inovações nas formas de produção, valorizam a história que deu origem às agroindústrias na Expointer 2026. Entre os 509 expositores, há sete restaurantes vinculados à agricultura familiar. Das 502 bancas de comercialização de produtos coloniais, cinco são da agroindústria familiar de Minas Gerais e 497 representam 216 municípios gaúchos no Parque de Exposições Assis Brasil.

"Das agroindústrias participantes do pavilhão, 37 estão relacionados no levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) com produtos que apresentam algum diferencial, inovação ou lançamento”, destacou o titular da SDR, Gustavo Paim. Segundo ele, a relação reúne novos produtos e adaptações de receitas tradicionais. “Inovar, na agricultura familiar, muitas vezes significa partir de algo que já existe e dar a ele uma nova possibilidade”, acrescentou.

Paim afirmou que as expectativas “são as melhores possíveis”, a começar pelo incremento no número de expositores. “Em 2025 eram 456 e, em 2026, são 509, o que representa um incremento de 53 empreendimentos”, comparou. Das agroindústrias familiares presentes na Expointer 2026, 72 são estreantes, 265 são comandadas por jovens e 179 por mulheres. De acordo com o secretário, apesar do aumento na quantidade de bancas, um ajuste arquitetônico resultou na ampliação dos corredores de acesso.

“Abrimos também um corredor central, ampliando o número de esquinas, gerando melhores possibilidades de vendas para todos”, ressaltou.

No Pavilhão da Agricultura Familiar os consumidores não encontram apenas novidades, mas diferentes formas de continuidade”, argumentou o titular da SDR. São produtos que mostram que inovar também pode significar preservar uma história e encontrar maneiras de fazê-la chegar às novas gerações”, acrescentou.

Expectativas de vendas

Embora não faça projeções, Paim recordou que, em 2025, os expositores do Pavilhão da Agricultura Familiar comercializaram R$ 13,6 milhões em produtos. “As maiores vendas ocorrem, normalmente, nos três últimos dias da Expointer. Neste ano, mesmo com chuva, o faturamento totalizou R$ 2,3 milhões no primeiro final de semana. O desafio maior, conforme Paim, está em incentivar a capacidade de inovação dos agricultores familiares sem afastá-los da identidade de seus empreendimentos.

“A inovação não está em abandonar uma receita tradicional, mas em encontrar uma nova maneira de apresentá-la, combinar ingredientes ou desenvolver um novo produto a partir de um conhecimento que já existe”, assinalou.

Em muitos casos, um novo produto nasce justamente da adaptação de uma receita existente, incorporando ingredientes disponíveis na propriedade ou conhecimentos transmitidos entre gerações.

Baldes de banha

O secretário projeta realizar, em 2027, a II Feira da Agricultura Familiar na Praça da Alfândega, em Porto Alegre, aos moldes do que ocorreu na semana que antecedeu o Dia das Mães, em 2026. “Na ocasião, somente um empreendedor vendeu mil baldes de banha”, relatou. Ele se referia a Everson Dias, de Teutônia, que há 14 anos abandonou a oficina mecânica onde trabalhava e se tornou sócio do sogro, o pequeno produtor rural Valdomir Wessel.

“Nos dois primeiros dias da Expointer já vendi 100 baldes de banha”, contabilizou. Dias também comercializa torresmo, salame, linguiça e morcilha. “Moradores de cidades grandes, como Porto Alegre, ficam ‘loucos’ com a banha”, comentou. O empreendedor retorna diariamente para casa, distante cerca de 100 quilômetros de Esteio, em busca de produtos para reabastecer a banca. “Não pode faltar produtos coloniais”, frisou.