A Santa Casa de Porto Alegre recebeu, nesta terça-feira, uma ação voltada ao auxílio na elaboração da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), documento que permite registrar, de graça, a intenção de doar órgãos, tecidos e partes do corpo. Profissionais do cartório orientaram e auxiliaram interessados na elaboração do documento.
A ação foi coordenada pela Organização de Procura de Órgãos (OPO7), em conjunto com o 3º Tabelionato de Notas, e também contou com a participação de uma equipe da Liga de Transplantes do Hospital Dom Vicente Scherer. A iniciativa integra as ações da Santa Casa durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos.
Desde o lançamento da Aedo, em 2024, mais de 32 mil brasileiros já utilizaram os Cartórios de Notas para formalizar essa decisão, sendo 2.012 no Rio Grande do Sul. Jonathã de Lima da Rosa, técnico de enfermagem da OPO7, ressalta que a certidão não é a principal maneira de se tornar um doador de órgãos, já que é necessário, também, a autorização da família. Porém, o interesse da pessoa em informar ser um doador auxilia os médicos a seguir com o que foi determinado pela pessoa em vida.
"A doação de órgãos dá oportunidade e qualidade de vida a outras pessoas. É muito difícil falar na morte, só que a gente sabe que tu estás dando oportunidade para outras pessoas buscarem a dar qualidade de vida, até mesmo chance à vida a outras pessoas", destaca Jonathã.
Atualmente, cerca de 3 mil pessoas aguardam por um transplante no Rio Grande do Sul, e mais de 87 mil no Brasil.
Edson Machado Barbosa, escrevente autorizado do tabelionato, detalha o processo para a obtenção do certificado. "O primeiro passo é fazer a emissão do certificado em qualquer tabelionato, ou na plataforma. Após a emissão, dentro da plataforma, faz a solicitação da doação de órgãos. Ali, vai preencher a ficha dela, escolher os órgãos que quer ser doado ou todos, e manda uma solicitação para o tabelionato. O tabelionato recebe a solicitação, e faz uma videoconferência confirmando a vontade da parte, assina e finaliza o ato."
Uma das pessoas que buscou ir atrás da sua certidão é Luciane Lopes dos Santos. “Já tenho há quase quatro anos registrado. Acho muito importante, porque são milhares de pessoas aguardando e muitas vezes esse é um momento que a pessoa tem como deixar realmente registrado que a família saiba do seu desejo. Muitas vezes, em encontros de família ou durante o dia a dia, as pessoas não falam na morte porque é um assunto doloroso. Mas é importante que a família tenha ciência disso.”
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