Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou orientações atualizadas para a vigilância das febres hemorrágicas virais (FHVs) em portos e aeroportos. O risco para o Brasil é considerado baixo no momento e a nota reforça que não há necessidade de novas medidas de saúde pública ou de divulgação de materiais informativos.
A publicação visa manter a avaliação contínua do cenário epidemiológico, com base em orientações técnicas e normas do Ministério da Saúde.
A atualização leva em consideração o contexto atual das doenças causadas pelos vírus Ebola e Marburg, com foco nas situações epidemiológicas na África. A Nota Técnica também aborda as ações de preparação e a atualização dos planos de contingência locais, com a implementação de protocolos e procedimentos baseados nos parâmetros do Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais.
O que são Febres Hemorrágicas Virais?
Elas representam um grupo de doenças febris sistêmicas graves causadas por quatro famílias de vírus - Arenaviridae, Bunyaviridae, Filoviridae e Flaviviridae. Esses vírus são caracterizados por uma miríade de sintomas que variam de coagulopatias, instabilidade hemodinâmica, estado mental alterado e, se grave o suficiente, morte. Existem documentadas uma espécie do vírus Marburg e cinco do vírus Ebola, sendo quatro com infecção humana comprovada.
A transmissão de FHV ocorre de pessoa para pessoa por contato direto (através de pele rompida ou mucosas) com sangue, secreções, órgãos ou outros fluidos corporais de pessoas infectadas; e, contado indireto, com superfícies e materiais (por exemplo, roupas de cama, roupas) contaminados com esses fluidos. As pessoas permanecem transmitindo o vírus enquanto este estiver presente no sangue ou fluidos corpóreos. Há relato de transmissão através de sêmen em até 7 semanas após recuperação da doença.
Quais são os sintomas das Febres Hemorrágicas Virais?
O período de incubação (intervalo desde a infecção até o início dos sintomas) varia de 2 a 21 dias. A doença começa abruptamente, com febre alta, dor de cabeça intensa e mal-estar intenso. Dores em geral e dores musculares são uma característica comum. Diarréia aquosa intensa, dor abdominal e cólicas, náuseas e vômitos podem começar no terceiro dia. Não há transmissão durante o período de incubação.
Durante a fase grave da doença, os pacientes apresentam febre alta. Muitos pacientes desenvolvem manifestações hemorrágicas graves entre 5 e 7 dias, e os casos fatais geralmente apresentam algum tipo de sangramento, geralmente em várias áreas do corpo. A presença de sangue no vômito e nas fezes costuma ser acompanhado de sangramento nasal, gengival e vaginal.