Saúde

Central monitora UTIs SUS de hospitais em seis estados brasileiros

Iniciativa integra dados de pacientes permitindo acompanhamento remoto de sinais vitais

Plataforma conecta dados de pacientes em estado grave de diversas regiões do país possibilitando monitoramento remoto
Plataforma conecta dados de pacientes em estado grave de diversas regiões do país possibilitando monitoramento remoto Foto : Lúcia Haggström / Especial CP

Integrando dados de Unidades de Tratamento Intensivo de seis hospitais do país, o Ministério da Saúde apresentou nesta quinta-feira o Centro de Monitoramento de UTIs Inteligentes do Sistema Único de Saúde (SUS). No Rio Grande do Sul, o Hospital Nossa Senhora da Conceição, do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) integra a iniciativa, onde os dados e sinais vitais dos pacientes de dez dos 59 leitos de UTI da instituição ficam disponíveis em uma plataforma integrada, desenvolvida pelo órgão federal.

O equipamento otimiza o trabalho das equipes de enfermagem, com a automatização da coleta dos sinais vitais dos pacientes monitorados, além da análise das informações obtidas pelo sistema que, deverão abastecer uma base de dados com o objetivo de analisar dados, identificar tendências e indicar protocolos de tratamento.

“O nosso horizonte é até o começo do ano que vem poder consolidar essas ferramentas e nos próximos quatro anos, oferecer esse recurso para todos os municípios. Ela vai permitir que todo cidadão possa acompanhar a trajetória do seu atendimento pelo seu celular, marcar consultas, acompanhar sua posição na fila de exames, de cirurgia”, afirmou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a cerimônia de apresentação do sistema.

Para a implementação no Rio Grande do Sul, foi necessária a substituição de alguns equipamentos dos leitos monitorados, além do reforço na estrutura de rede da instituição. O restante da estrutura do setor de UTIs do GHC foi aproveitada para o projeto. Desta forma, o investimento do Ministério da Saúde para a execução da iniciativa no Rio Grande do Sul foi de R$ 211 mil, de acordo com o assessor da gerência de Unidades de Tratamento do GHC, Matheus Golenia dos Passos.

“A plataforma, que integra esses dados, gera uma planilha pela qual conseguimos fazer algum tipo de pesquisa clínica em cima disso e facilita porque o dado está sendo atualizado em tempo real, além de ser uma base de dados grande. Tudo isso faz parte desse projeto no Ministério da Saúde”, explica. Além de Porto Alegre, Manaus (AM), Recife (PE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) integram a iniciativa, com 60 leitos inteligentes ativos e um investimento total de R$ 8,5 milhões do Ministério da Saúde.

Além disso, a automatização da leitura dos sinais vitais do paciente, que alimentam os painéis de informações, reduz o tempo que profissionais de saúde dedicam, atualmente, para tarefas administrativas, com preenchimento de formulários, o que acelera o tempo de resposta de atividades de cuidado efetivo, conforme explica a coordenadora de enfermagem da UTI do GHC, Rafaela Charão.

“É mais uma medida de segurança, porque temos tanto a equipe na beira do leito quanto o monitor quanto a integração dentro do nosso posto de enfermagem que consegue sinalizar os alarmes. Se um paciente tiver com uma pressão muito baixa, o sistema vai alarmar tanto no quarto quanto dentro do posto de enfermagem sinalizando para que a equipe também observe os sinais sonoros”, afirma.

O monitoramento integrado, por enquanto, funciona em estágio piloto. A expectativa do Ministério da Saúde, no entanto, é que até o final deste ano mil leitos, em todo o país, possam ser monitorados pela central, sediada em São Paulo. Posteriormente, o sistema pretende chegar a todos os leitos de UTI da saúde pública. A proposta também prevê a criação de bases de dados com análise dos indicadores vitais do paciente, podendo prever quadros com perspectiva de piora clínica.

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