Saúde

Doação de órgãos: HPS supera resultado de 2025

Hospital também ampliou a atuação na doação e utilização de tecidos

HPS já realizou 60 transplantes com membrana amniótica, utilizada no tratamento de pacientes com grandes queimaduras
HPS já realizou 60 transplantes com membrana amniótica, utilizada no tratamento de pacientes com grandes queimaduras Foto : Camila Cunha

O Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Porto Alegre superou, entre janeiro e agosto, o número de doadores de órgãos efetivos registrado durante em 12 meses do ano passado. No período, a Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos (E-DOT) contabilizou 18 doadores, um a mais do que em 2025.

Das 20 famílias entrevistadas para autorização da doação, apenas duas recusaram o procedimento, o que representa uma taxa de negativa familiar de 10%. O índice está bem abaixo das referências estadual e nacional. No Rio Grande do Sul, dados da Central Estadual de Transplantes mostram que, em 2025, foram realizadas 580 entrevistas familiares, com 267 negativas, o equivalente a cerca de 46%.

No Brasil, no mesmo período, a taxa média de recusa foi de 45% entre familiares de potenciais doadores, conforme o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO). Para o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, os resultados refletem um trabalho que alia qualificação técnica, acolhimento e cuidado com as famílias em um dos momentos mais delicados que podem enfrentar.

“A doação começa muito antes da captação de um órgão. O HPS tem investido na capacitação dos profissionais para que conhecimento técnico e humanização caminhem juntos. Cada família que diz 'sim' permite que, em meio à dor, outras pessoas tenham uma nova oportunidade de vida. É um gesto de amor ao próximo”, afirma Ritter.

Respeito aos familiares

A E-DOT acompanha todo o processo, desde a identificação do potencial doador e o diagnóstico de morte encefálica até o acolhimento dos familiares e a organização da logística para retirada e destinação dos órgãos e tecidos. Segundo a enfermeira da equipe Joema Ferrer, a abordagem familiar exige preparo técnico, escuta qualificada e respeito ao momento vivido pelos familiares.

“Nosso trabalho é oferecer acolhimento, informação clara e apoio em um momento de extrema sensibilidade. Essa proximidade, aliada ao preparo da equipe, ajuda a construir uma relação de confiança com as famílias. Isso contribui para reduzir a negativa familiar e, consequentemente, ampliar as possibilidades de transformar e salvar vidas por meio da doação”, destaca Joema.

Doação de tecidos

Além da captação de órgãos, o HPS também vem ampliando a atuação na doação e utilização de tecidos. Em menos de um ano, o hospital já realizou 60 transplantes com membrana amniótica, utilizada no tratamento de pacientes com grandes queimaduras, especialmente crianças.

O tecido atua como um curativo biológico, contribuindo para a cicatrização e para a proteção das áreas queimadas. Em novembro de 2025, o HPS realizou o primeiro transplante pediátrico com membrana amniótica no Brasil após a inclusão da técnica no Sistema Único de Saúde (SUS).

Dia da Doação de Órgãos

Neste domingo é celebrado o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos, data dedicada à conscientização sobre a importância de manifestar à família o desejo de ser doador. No Brasil, a autorização dos familiares é indispensável para que a doação seja realizada após a morte, o que reforça a importância do diálogo sobre o tema.

A data também busca valorizar o trabalho das equipes envolvidas no processo e ampliar a informação sobre um gesto capaz de salvar e transformar diversas vidas.

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