A detecção de uma bactéria resistente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, não foi o primeiro caso no Rio Grande do Sul. No ano passado, a sua presença foi registrada em outro município e, também, em outros estados. O microrganismo, classificado como multirresistente por sua alta resistência a antibióticos, pode tornar as infecções mais graves e representar risco à vida dos pacientes. No hospital Fêmina, quatro pacientes internados foram infectados. Um bebê morreu. Confira, abaixo, outros casos registrados:
Novo Hamburgo
Em agosto do ano passado, o hospital de Novo Hamburgo precisou ser interditado por mais de duas semanas após ser registrado um surto pela mesma superbactéria. A presença, resistente dentro da UTI, foi identificada entre os dias 11 e 15 de julho, com a internação de dois pacientes portadores da mesma, e fez com que as equipes evacuassem o setor e realizassem o bloqueio e a desinfecção do local. Sete pacientes precisaram ser realocados para a Sala Amarela. A Vigilância Sanitária estadual orientou o hospital, na época, a adotar uma série de medidas para conter a disseminação da bactéria.
Brasília (DF)
Em novembro do ano passado, o caso também foi registrado em Brasília (DF). O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) registrou um surto da bactéria na UTI. Ao todo, 13 pacientes foram infectados à época. Desses, 12 permaneceram assintomáticos, sem sinais de infecção, e um paciente desenvolveu um quadro infeccioso. Porém, concluiu o tratamento com antibióticos e permaneceu estável. Não houve mortes no local. Após a confirmação do caso, foram estabelecidas medidas de prevenção, como isolamento de pacientes, bloqueio de acessos à UTI e intensificação de processos de limpeza e desinfecção.
Amparo (SP)
Ainda no ano passado, em agosto, a bactéria, que é incluída em grupo crítico da OMS, foi encontrada em uma UTI da Santa Casa Anna Cintra, de Amparo (SP). Por medida de segurança, quatro pacientes foram transferidos para uma UTI de retaguarda na época. A identificação do microorganismo ocorreu durante uma vistoria de rotina, e a transferência dos pacientes ocorreu, segundo a prefeitura, "de forma preventiva", segundo informado pela prefeitura. UTI principal passou por um processo minucioso de higienização e desinfecção de todo o ambiente.
No Fêmina, órgãos reguladores e de fiscalização foram acionados
Conforme o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), responsável pelo hospital Fêmina, 34 pacientes estavam internados na unidade e quatro testaram positivo para a presença da bactéria. Um bebê extremamente prematuro, que estava infectado, morreu. Em nota, a instituição afirma ter acionado “imediatamente” todos os órgãos reguladores e de fiscalização.
O grupo também afirmou que a área foi totalmente isolada com restrição máxima e bloqueio de movimentações. Sobre o óbito registrado na UTI Neonatal, o GHC informou que a vítima nasceu de um parto de risco e em situação de prematuridade extrema. Outros três recém-nascidos que testaram positivo para a infecção estão sendo acompanhados por equipe exclusiva e foram mantidos em isolamento. O quadro de saúde é estável.