Promover ações de controle da alta mortalidade por câncer exige articulação entre diferentes atores responsáveis pelas políticas públicas. Esse trabalho colaborativo deve ser realizado entre as cidades, mas também contar com inspirações de projetos existentes em diferentes países. Esse é o principal objetivo das discussões promovidas na I Cúpula Multilateral de Cidades da América Latina no Controle do Câncer, que começou na quarta e segue até o final da tarde desta quinta-feira no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
O evento, que reúne gestores públicos, especialistas, organismos internacionais e diferentes instituições de saúde é realizado pelo Instituto de Governança e Controle do Câncer (IGCC) – que é de Porto Alegre, mas com abrangência nacional –, e conta com a presença de diferentes países da América Latina.
Além do Brasil, estão presentes representantes da Colômbia, Argentina, Chile, Paraguai, Peru e México. O projeto está ligado ao City Cancer Challenge, uma fundação de Genebra que defende a responsabilidade às cidades para a elaboração de políticas públicas de controle. Nesta quinta, a assinatura de uma carta reafirmou o compromisso entre os paises para continuar dialogando no controle do câncer.
De acordo com Maira Caleffi, presidente do Conselho de Administração do IGCC e chefe do Núcleo de Mama do Moinhos de Vento, a cúpula busca, primordialmente, unir experiências e buscar soluções adequadas para os países representados, que precisam sair do papel e serem enfrentadas pelas cidades.
"A jornada do câncer é muito complexa. Existem muitos problemas que a gente precisa resolver. Não só no tratamento, mas precisamos aumentar muito o diagnóstico precoce, porque as pessoas estão chegando tarde. Lidar com o tempo para atender as pessoas, lidar com a falta de entendimento dos sinais de alerta mais importantes", exemplificou Maíra.
Para ela, esse é o principal motivo de unir diferentes países: trocar experiências. “Se a gente não trocar como um bloco, sendo América Latina, vamos perder oportunidades de repetir ações que não deram certo.”
Na abertura institucional do evento, o CEO do Hospital Moinhos de Vento, Mohamed Parrini destacou a necessidade de pensar políticas públicas de uma forma objetiva para dar seguimento aos projetos para execução prática e operacional daquilo que a gente planeja. Para isso, é necessária a união entre os países.
"Às vezes, considero que a América Latina não está totalmente conectada como deveria estar. Muitas experiências ricas são feitas em diferentes países. Temos similaridades, mas muitas diferenças. E uma cúpula como essa se propõe a isso. Conhecer o que cada um de nós faz, buscar experiências melhores para buscar e reafirmar as singularidades, mas também buscar a inspiração nos projetos que são diferentes e melhores."
O secretário estadual da Saúde em exercício, Bruno Leonardo Naundorf Santos, pontuou ações realizadas pelo Estado, em participação com outros órgãos, para auxiliar nos atendimentos, consultas e na redução da fila de espera. Ainda, destacou a importância da união entre as cidades para ampliar as políticas.
"Essa política precisa ultrapassar fronteiras. Nós não temos como estar em todos os municípios, e essa integração das cidades é muito importante. A gente espera que a cúpula fortaleça essa construção coletiva e traduza as experiências compartilhadas. O Governo do Rio Grande do Sul reafirma a disposição para participar desse esforço, fortalecer a prevenção, ampliar o diagnóstico adequado no tempo oportuno, regionalizar o cuidado e qualificar o tratamento oncológico."
À frente da Secretaria da Mulher, Ana Costa voltou-se aos programas existentes de diagnóstico de câncer de colo de útero e de mama no Estado, e ressaltou a importância da pasta seguir com ações de prevenção. "Também nos cabe incentivar e estimular para que além de tudo aquilo que está sendo trabalhado dentro do governo, a gente possa também incentivar as mulheres a este autocuidado. Porque, infelizmente, ainda temos mulheres distantes de cuidados."
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I Cúpula Multilateral de Cidades da América Latina no Controle do Câncer