Saúde

Emergências de Porto Alegre estão superlotadas neste domingo e Hospital São Lucas restringe atendimentos

Complexo hospitalar da PUCRS informa que atende apenas pessoas “em risco de vida”

Emergências do Hospital São Lucas e Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul lotados.
Hospital São Lucas
Emergências do Hospital São Lucas e Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul lotados. Hospital São Lucas Foto : Ricardo Giusti

As emergências hospitalares em Porto Alegre estão, mais uma vez, superlotadas neste domingo. Conforme o dashboard da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), a lotação para pacientes adultos estava em 278,5% no final da manhã de hoje no Instituto de Cardiologia (IC), o mais afetado pelo número elevado de pacientes. Havia 39 pessoas internadas para 14 leitos. Já na Santa Casa de Misericórdia, a superlotação alcançava 228,5%, ou 64 internados para 28 leitos. Em média, os hospitais da Capital nas emergências adultas estavam 133,3% lotadas, com 208 pessoas em observação internadas para uma oferta de 156 leitos.

Nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), também havia um número superior de pacientes em relação a oferta de vagas, com 277,7% de lotação no PA da Cruzeiro do Sul, ou 25 internados para nove leitos, 247% na Moacyr Scliar, ou 42 internados para 17 vagas, e 214,2% na Bom Jesus, com 15 pacientes para sete vagas. De maneira geral, a saúde pública regulada pela SMS para adultos, somando hospitais e UPAs, tinha 152,2% de lotação neste domingo, com 300 em observação internados e 197 leitos, mais 66 pessoas aguardando atendimento.

O diretor técnico do São Lucas, Fabiano Ramos, se disse preocupado com a situação. Segundo ele, “a desassistência e o atendimento inadequado podem levar à morte de pacientes”. Quem acessa o site da instituição neste domingo é informado que o local opera “há semanas acima de sua capacidade de infraestrutura física e técnica” (confira imagem aqui). O HSL informa ainda que é “inviável a manutenção da assistência a novos pacientes”, com o objetivo de “preservar a segurança de pacientes e manter a qualidade do atendimento”, orientando ainda que outros locais sejam procurados, ou unidades básicas de saúde e UPAs em casos menos complexos.

“Esta é uma situação que todos os hospitais sofrem, e, no nosso caso, exige uma atitude mais drástica em relação ao fechamento. Envolve não apenas Porto Alegre, mas o Estado, porque grande parte destes pacientes que atendemos, 50%, vêm de fora de Porto Alegre. Chegamos a ter dias com 500% de lotação”, salientou ele, comentando ainda que, desde junho de 2024, após as enchentes, a média de ocupação tem sido sempre superior a 280%.

“Temos trabalhado com este percentual como se fosse normal, mas não é. Muitas vezes, as equipes ficam sobrecarregadas. Obviamente, esta situação pode levar a uma desassistência e um atendimento inadequado”, desabafou Ramos.

Ainda conforme ele, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) tem acompanhado a situação, a fim de compreender quais medidas podem ser adotadas junto às secretarias Municipal e Estadual da Saúde (SES) para “melhorar a situação”, mas há um problema, por vezes, com a judicialização de procedimentos, que faz com que pacientes “furem a fila”. “É preciso que o MPRS e o Poder Judiciário entendam este fluxo da área da saúde, porque todas estas decisões impactam na vida do paciente e no atendimento que as instituições podem oferecer. Estes impactos judiciais interferem no fluxo de atendimentos”, observou Ramos.

Procurado, o MPRS apenas confirmou que um procedimento foi aberto para apurar a situação das emergências da Capital. Já a SMS disse, ainda na sexta-feira, quando a lotação era maior ainda do que neste domingo, que “reorganiza diariamente de maneira dinâmica a situação da rede de urgências da Capital”, e que o São Lucas “enviou ofício à secretaria na quinta-feira, 13, solicitando restrição por 24 horas na entrada de pacientes, pois estava com 47 pacientes para dez leitos”, algo que foi atendido. Sobre o PA da Cruzeiro, a SMS informou que dois pacientes de maior complexidade foram remanejados para leitos hospitalares ainda na quinta-feira, e que o local operava sem restrições.

Leia a nota completa da Secretaria Municipal da Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reorganiza diariamente de maneira dinâmica a situação da rede de urgências da Capital. No caso do Hospital São Lucas da PUCRS, a instituição enviou ofício à secretaria na quinta-feira, 13, solicitando restrição por 24 horas na entrada de pacientes, pois estava com 47 pacientes para dez leitos. A SMS atendeu a solicitação e, nesta sexta-feira, 14, a emergência está com 34 pacientes, apresentando melhora no cenário.

Em relação ao Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs), dois pacientes de maior complexidade foram remanejados para leitos hospitalares na quinta-feira, 13. O serviço segue atendendo sem restrições. Pessoas com quadros leves que não precisam de atendimento de urgência devem procurar a unidade de saúde mais próxima de sua casa.