Saúde

Encontro virtual aborda os principais cuidados após as enchentes

Especialistas falaram sobre as infecções que são uma grande ameaça à população gaúcha e importância da vacinação

Infectologistas estão preocupados com o mofo que aparece nos locais alagados depois que a água baixa
Infectologistas estão preocupados com o mofo que aparece nos locais alagados depois que a água baixa Foto : Reprodução/Divulgação/CP

Um encontro virtual com especialistas foi promovido pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI) na tarde deste sábado. O objetivo foi de esclarecer dúvidas e orientar as pessoas que estão à frente dos resgates da enchente – que devastou o Rio Grande do Sul – e que atuam em abrigos. Além de informar sobre os cuidados necessários após a água baixar, as infecções que são uma grande ameaça à população gaúcha e importância da vacinação.

Até este sábado, o Rio Grande do Sul registra 155 óbitos, 540 mil desalojados, 77 mil pessoas em abrigos, 461 municípios afetados e 82 mil pessoas resgatadas.

O presidente da SGI e chefe do serviço de infectologia da Santa Casa de Porto Alegre, Alessandro Pasqualotto informou que a entidade já elaborou notas técnicas com o apoio da Sociedade Brasileira de Infectologia e da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul para nortear as ações. Os materiais estão disponíveis no repositório da Sociedade Brasileira de Infectologia e o link pode ser conferido nas redes da SGI.

Entre as notas está o posicionamento da SGI que recomenda a quimioprofilaxia na leptospirose. Rafaela Mafaciolli destacou que desde o início das enchentes os especialistas estiveram nos locais de resgates e abrigos, e todas as recomendações são técnicas e bem referenciadas.

A recomendação se dá, principalmente, pelo não uso de materiais de proteção como luvas, botas de borrachas e a quantidade de tempo de exposição em água que pode estar contaminada. O teste para verificar a leptospirose pode ser tanto de urina quanto de sangue, e deve ser coletado a partir do 7º dia de sintomas. Mas os especialistas alertam que a qualquer suspeita, o tratamento deve ser iniciado. E que o uso dos remédios da quimioprofilaxia é o mesmo para o tratamento, por isso devem ser usados de forma consciente.

Fabrizio Motta lembrou que a leptospirose é uma doença leve. E uma minoria vai desenvolver a forma mais grave. Além de os riscos serem baixos para quem ficou pouco tempo em contato com a água.

Os especialistas ressaltaram que pelo tempo de incubação, já há registros nos hospitais de leptospirose – pessoas que tiveram contato com a água contaminada no início de maio. E que os quadros clínicos são diferentes, por isso quando houver a permanência de febre alta deve-se procurar um médico.

Orientação para voluntários

Para não ter um aumento no número de população exposta, Cezar Riche sublinhou a importância dos voluntários usarem equipamentos de proteção necessários. E que qualquer suspeita nos abrigos, as pessoas devem ser encaminhadas para avaliação médica. O infectologista reforçou a necessidade da higiene e da limpeza nos abrigos, além de uma circulação de ar adequada e de insumos para higiene das mãos, como água ou álcool.

Vacinação

Paulo Gewehr ressaltou a importância da vacinação. Ele lembrou que as vacinas são a segunda intervenção que mais salva vidas. “As vacinas são seguras e eficazes”, afirmou.

Atualmente, as vacinações prioritárias são contra a Gripe e Covid-19, devido a facilidade de transmissão em abrigos por causa da aglomeração e o não uso de máscaras. A vacinação contra Tétano, Hepatite A e Raiva também estão entre as mais importantes, no momento.

Gewehr destacou a importância de ter uma equipe da Unidade de Saúde nos abrigos e chamou a atenção para a possibilidade de Hepatite B. Desta forma, os socorristas que tiveram contato com materiais biológicos devem procurar atendimento clínico. Fabrizio Motta considerou a necessidade de afastar os pacientes suspeitos com infecções respiratórias. E ressaltou a importância do uso de máscaras.

Sobre a vacinação infantil foi lembrado que o protocolo de imunização deve ser mantido. E pontuado que se a criança está em dia, não precisa fazer reforço.

Dengue

Sobre a dengue foi destacado que o ciclo de reprodução do mosquito diminui com a chegada das temperaturas mais baixas, mas que vários locais ficaram abastecidos de água e são potenciais criadouros.

A vacina contra dengue está disponível para crianças e adolescentes entre 10 anos e 15 anos incompletos, na rede pública. O uso de de repelentes e roupas com mangas longas e calças ainda são recomendados.

Doenças fúngicas

O mofo aparece em locais que foram alagados entre 24h e 48h depois que a água baixar. Na hora da limpeza, nariz, bocas e olhos devem ser protegidos. Por isso a importância de usar máscara, luvas e óculos. Para evitar o pó, deve-se, primeiro, limpar com água, antes de varrer, e usar água sanitária. Pessoas com a imunidade baixa não devem realizar a limpeza desses locais.

Os tecidos mais danificados pela enchente devem ser colocados fora. Não sendo possível, devem ser lavados com água quente e deixados de molho. Depois devem ser lavados novamente.