Como as cooperativas médicas podem se preparar para as transformações e para o futuro da saúde suplementar é a principal reflexão da 55ª Convenção Nacional Unimed, que ocorre até sexta-feira na Fiergs, em Porto Alegre. Entre os assuntos discutidos nesta quarta-feira. No painel que abriu o segundo dia de evento, nesta quarta-feira, o climatologista Carlos Nobre tratou dos impactos da emergência climática na saúde, e o neurocientista Alysson Muotri discutiu a evolução da inteligência humana e artificial. A mediação foi de Paulo Roberto Fernandes Saria, vice-presidente da Unimed do Brasil.
Em sua fala, Carlos Nobre ressaltou que a poluição do ar é a que mais traz riscos para a saúde da população, com a queima de combustíveis fósseis que geram os gases do efeito estufa, e que provocam de 6 a 7 milhões de mortes no mundo por ano. "Aqui no Brasil um estudo recente mostrou que, entre 2023 e 2025, houve 78 mil mortes, principalmente relacionadas à poluição urbana", pontuou.
O especialista também ressaltou que, apenas em São Paulo, a expectativa de vida diminui de 2 a 4 anos com a poluição urbana. Nobre ressaltou que a maior urgência para mitigar esse cenário é zerar o uso dos combustíveis fósseis.
Nobre ainda lembrou que o aumento da temperatura do planeta deverá ultrapassar 1,5°C. "Muita gente não entende a seriedade desse aquecimento", ressaltou. "Vocês lembram do Acordo de Paris 2015, e depois a COP26, em Glasgow, na Escócia, os países todos concordaram em não deixar a temperatura passar em 1,65 graus. O que a ciência indicava naquela época? Tinha que reduzir muito as emissões de gases do efeito estufa a partir de 45% até 2030, 65% até 2035 e zerar as emissões até 2050. Infelizmente, nada disso está acontecendo. As emissões continuam a aumentar", alertou, acrescentando que se não for acelerada a redução das emissões, o planeta aumentará de 2 a 2,5ºC em 2050.
O neurocientista Alysson Muotri tratou dos impactos da progressão dos usos da inteligência artificial na saúde. Refletindo sobre como o futuro vai além da inteligência artificial, ele trouxe a chamada inteligência orgânica, o uso de organoides cerebrais, minicérebros criados em laboratório a partir de células-tronco, e que formam estruturas que reproduzem características do cérebro humano. Esse modelo permite estudos do desenvolvimento cerebral de maneira individualizada e contribui para avanços no tratamento de doenças neurológicas.
Márcio Pizzato, presidente do Conselho de Administração da Unimed Porto Alegre, destacou sobre a importância do evento ocorrer em Porto Alegre e trazer assuntos pertinentes para a discussão do futuro da saúde. "Para nós, é uma honra receber esse evento aqui depois de mais de 25 anos que não ocorria em Porto Alegre, com palestras e com 1.700 dirigentes de de Norte a Sul deste país, discutindo o Sistema Unimed, trazendo pessoas de expoentes nacional e internacional para trocarmos ideias sobre o presente e o futuro da saúde suplementar no Brasil".
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