“A tecnologia pode interpretar milhões de dados em segundos, mas somente o médico pode interpretar o silêncio de um paciente.” A frase resume o recado dos professores aos alunos de medicina: o médico continua sendo o protagonista da prática médica.
No segundo painel do Summit Talks: IA na Medicina, evento promovido pelo Correio do Povo, o coordenador médico de Governança Clínica, Ensino e Pesquisa da Unimed Vale do Sinos, Damásio Macedo Trindade, e o coordenador do curso de Medicina da Universidade Feevale, Leandro Orlandini, apresentaram como a inteligência artificial (IA) já está sendo incorporada à formação médica e à qualificação do atendimento ao paciente.
“Uma realidade que nos anima e nos assusta ao mesmo tempo”, definiu Damásio Trindade. Ele destacou que o diferencial dos médicos passa a estar na capacidade de interpretar os dados. A inteligência artificial possibilita, ainda, a implementação de prontuários inteligentes e a integração entre atendimentos de emergência e de consultório, permitindo que o médico tenha acesso a exames anteriores. Na Unimed Vale do Sinos, a IA é utilizada no prontuário eletrônico, na automatização de protocolos clínicos e no atendimento digital.
“A grande questão é o eixo humano: a humanização da escuta ativa e estratégica e a comunicação de más notícias. Quem trabalha com oncologia precisa estar instrumentalizado para dar segurança psicológica ao paciente”, afirmou.
O coordenador do curso de Medicina da Feevale, Leandro Orlandini, lembrou que a Diretriz Curricular Nacional já prevê a inclusão de conteúdos relacionados à inteligência artificial na formação médica. “É um desafio grande educar e formar um médico na era digital, mas abre uma série de oportunidades”, afirmou.
Ele destacou que a experiência dos professores mais antigos continua sendo muito valiosa. “Continuamos sendo um curso de Medicina tradicional, em que atendemos o paciente olho no olho”, disse. Por outro lado, a IA abre oportunidades como a formulação de questões, a simulação de casos clínicos e a personalização da formação dos alunos. Nesse novo contexto, o professor passa a ter, entre outras funções, o papel de auxiliar na escolha das ferramentas e estimular a análise crítica.
“A gente precisa manter os pés no chão com tanta coisa nova que vem acontecendo. Precisamos manter a humanidade, o atendimento correto, o olho no olho. A IA não decifra o silêncio de um paciente numa consulta. Eu espero que não cheguemos ao ponto de sermos substituídos. Continuamos sendo o centro do atendimento, e o paciente, o centro da medicina”, concluiu.
O Summit Talks: IA na Medicina é uma realização do Correio do Povo e da Universidade Feevale, com patrocínio do Cremers e apoio da Unimed Vale do Sinos e da Unicred. O evento ocorreu nesta quarta-feira, no Campus II da Feevale, em Novo Hamburgo.