Saúde

Formação deve capacitar médico para o uso de IA sem tirar o protagonismo do profissional

Segundo painel do Summit Talks abordou os impactos da tecnologia na grade curricular e no atendimento aos pacientes

Coordenador Médico da Unimed Vale do Sinos, Damásio Macedo Trindade, foi um dos palestrantes
Coordenador Médico da Unimed Vale do Sinos, Damásio Macedo Trindade, foi um dos palestrantes Foto : Mauro Schaefer

“A tecnologia pode interpretar milhões de dados em segundos, mas somente o médico pode interpretar o silêncio de um paciente.” A frase resume o recado dos professores aos alunos de medicina: o médico continua sendo o protagonista da prática médica.

No segundo painel do Summit Talks: IA na Medicina, evento promovido pelo Correio do Povo, o coordenador médico de Governança Clínica, Ensino e Pesquisa da Unimed Vale do Sinos, Damásio Macedo Trindade, e o coordenador do curso de Medicina da Universidade Feevale, Leandro Orlandini, apresentaram como a inteligência artificial (IA) já está sendo incorporada à formação médica e à qualificação do atendimento ao paciente.

“Uma realidade que nos anima e nos assusta ao mesmo tempo”, definiu Damásio Trindade. Ele destacou que o diferencial dos médicos passa a estar na capacidade de interpretar os dados. A inteligência artificial possibilita, ainda, a implementação de prontuários inteligentes e a integração entre atendimentos de emergência e de consultório, permitindo que o médico tenha acesso a exames anteriores. Na Unimed Vale do Sinos, a IA é utilizada no prontuário eletrônico, na automatização de protocolos clínicos e no atendimento digital.

“A grande questão é o eixo humano: a humanização da escuta ativa e estratégica e a comunicação de más notícias. Quem trabalha com oncologia precisa estar instrumentalizado para dar segurança psicológica ao paciente”, afirmou.

O coordenador do curso de Medicina da Feevale, Leandro Orlandini, lembrou que a Diretriz Curricular Nacional já prevê a inclusão de conteúdos relacionados à inteligência artificial na formação médica. “É um desafio grande educar e formar um médico na era digital, mas abre uma série de oportunidades”, afirmou.

Ele destacou que a experiência dos professores mais antigos continua sendo muito valiosa. “Continuamos sendo um curso de Medicina tradicional, em que atendemos o paciente olho no olho”, disse. Por outro lado, a IA abre oportunidades como a formulação de questões, a simulação de casos clínicos e a personalização da formação dos alunos. Nesse novo contexto, o professor passa a ter, entre outras funções, o papel de auxiliar na escolha das ferramentas e estimular a análise crítica.

“A gente precisa manter os pés no chão com tanta coisa nova que vem acontecendo. Precisamos manter a humanidade, o atendimento correto, o olho no olho. A IA não decifra o silêncio de um paciente numa consulta. Eu espero que não cheguemos ao ponto de sermos substituídos. Continuamos sendo o centro do atendimento, e o paciente, o centro da medicina”, concluiu.

O Summit Talks: IA na Medicina é uma realização do Correio do Povo e da Universidade Feevale, com patrocínio do Cremers e apoio da Unimed Vale do Sinos e da Unicred. O evento ocorreu nesta quarta-feira, no Campus II da Feevale, em Novo Hamburgo.

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