O Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, realizou procedimento inédito na região Sul do Brasil com um novo dispositivo de trombectomia voltado à retirada de trombos agudos e subagudos sem a necessidade do uso de medicamentos trombolíticos - substâncias que aumentam o risco de sangramento. A tecnologia representa um avanço no tratamento minimamente invasivo da trombose venosa profunda e na prevenção de embolia pulmonar.
O equipamento, chamado Artix, foi desenvolvido por uma empresa de tecnologia da Califórnia e está disponível no Brasil há pouco mais de um mês. O procedimento realizado no hospital gaúcho foi o primeiro da região Sul e apenas o quarto no país utilizando o dispositivo.
A tecnologia foi empregada no tratamento de uma paciente de 90 anos, que havia apresentado um segundo episódio de trombose venosa em um intervalo de apenas 40 dias. O caso exigia atenção redobrada devido à presença de um trombo flutuante - condição em que parte do coágulo permanece aderida à parede da veia enquanto outra parte se movimenta livremente na corrente sanguínea, elevando significativamente o risco de embolia pulmonar.
De acordo com o cirurgião vascular Alexandre Araújo Pereira, coordenador do Núcleo de Doenças Arteriais da instituição, o diferencial do dispositivo está na capacidade de remover o trombo, sem necessidade de medicamentos para dissolução do coágulo.
“Ele funciona como uma espécie de cesta que captura o trombo com precisão e segurança. Neste caso, realizamos o procedimento por meio de uma punção atrás do joelho da paciente, utilizando um cateter com menos de três milímetros, sem necessidade de incisões”, explicou Pereira.
Segundo o especialista, a tecnologia reduz riscos importantes associados ao tratamento convencional, especialmente em pacientes idosos ou com maior propensão a sangramentos. “Temos mais uma ferramenta para resolver problemas com alta morbidade e conseguir evitar o uso de medicamentos trombolíticos em pacientes com alto risco de sangramento, de uma forma minimamente invasiva”, destaca.
Além de atuar na fase aguda da trombose, o procedimento também contribui para minimizar complicações crônicas da doença, preservando a circulação venosa e reduzindo impactos futuros na qualidade de vida dos pacientes. A paciente recebeu alta hospitalar em menos de 24 horas após a intervenção, sem evidência de embolia pulmonar e com recuperação considerada positiva pela equipe médica.