Os leitos hospitalares clínicos em Porto Alegre estavam na manhã desta sexta-feira com 98% da capacidade ocupada, conforme o dashboard de monitoramento da Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A situação é mais crítica nos pronto atendimentos, com todos acima deste percentual de ocupação. A situação mais complicada foi na Unidade de Pronto Atendimento Moacyr Scliar, na zona Norte, com 394% de lotação, sendo que 63% dos pacientes são de fora da Capital, e a maioria dos pacientes com necessidade de gastroenterologista.
Os pronto-atendimentos Bom Jesus tinha, enquanto isso, 162% de lotação; o da Cruzeiro do Sul, 163%, e o da Lomba do Pinheiro, 125%. O pronto atendimento de saúde mental do IAPI estava com 81% de ocupação. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) informou que sua emergência adulto tem lotação de 161 pacientes, também muito acima da capacidade.
O HCPA, que nesta sexta-feira recebe o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, está em restrição máxima, e afirmou que, pelas próximas 24 horas, a partir das 10h de hoje somente receberá pacientes admitidos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Os demais casos devem ser atendidos pelas outras emergências hospitalares da região. A medida já foi comunicada às autoridades de saúde municipais e estaduais.
Questionada, a SMS afirmou que a época atual é de início dos problemas ligados a complicações respiratórias, assim como alta necessidade de gastroenteorologistas e infectologistas, e que na próxima segunda-feira, entram em operação mais 30 leitos da Operação Inverno da Prefeitura de Porto Alegre, sendo 10 UTI pediátrica e 15 de Suporte Ventilatório Pulmonar Pediátrico (SVP), além de cinco leitos de UTI adulto na Santa Casa de Misericórdia.
A Operação Inverno neste ano deverá ter investimento total de R$ 24,5 milhões, dos quais R$ 22 milhões serão para reforço e ampliação da rede de saúde pública, com recursos municipais, estaduais e federais. Na área de assistência social, a pasta afirmou já ter aplicado R$ 1 milhão na ampliação de um Centro POP, além da prever R$ 1,5 milhão para custear estadias emergenciais e a aquisição de cobertores, com investimento próprio.
Emergência por vírus respiratórios acende alerta para crianças no Rio Grande do Sul
O aumento expressivo das internações por vírus respiratórios colocou o Rio Grande do Sul em situação de emergência em saúde pública e acendeu um alerta especial para o atendimento pediátrico. O Decreto 58.754 declara emergência em todo o território gaúcho por 120 dias para prevenção e enfrentamento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com ênfase no cuidado às crianças. A medida ocorre em meio ao crescimento nas hospitalizações por influenza e nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave.
Diante do cenário, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) chama atenção para a importância da prevenção, da vacinação contra influenza e da identificação precoce dos sinais de gravidade. O decreto também aponta aumento de 376,9% nas hospitalizações por rinovírus, percentual que chega a 528,6% entre menores de 12 anos, além de maior circulação de diferentes vírus respiratórios no Estado. O presidente da SPRS, Marcelo Pavese Porto, explica que as famílias precisam observar quando um quadro respiratório deixa de ter evolução leve.
“Como em qualquer doença, a prostração é um dado muito importante. Uma criança que não brinca, que não come e que, mesmo depois de baixar a temperatura, continua muito abatida, precisa ser avaliada. Febre alta, constante, que não baixa adequadamente, especialmente quando associada à prostração ou muita irritabilidade, também exige atenção. Outro ponto crítico é a dificuldade respiratória, quando a criança faz esforço para respirar, apresenta respiração ofegante, rápida ou com afundamento abaixo das costelas ou no pescoço, principalmente quando está sem febre. Nesses casos, o atendimento médico deve ser imediato”, afirmou.
A preocupação com o público pediátrico ocorre porque crianças, especialmente as menores de um ano, apresentam maior vulnerabilidade para complicações respiratórias. As vias aéreas são mais estreitas, o sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e a convivência em creches, escolas e outros ambientes coletivos amplia as chances de transmissão de vírus respiratórios.
“As crianças são mais vulneráveis, especialmente abaixo de um ano, mas toda a infância merece atenção. Elas podem internar, necessitar de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e suporte respiratório, porque realmente podem evoluir para quadros graves. Por isso, a vacinação é essencial. A vacina não impede totalmente que a criança tenha influenza, mas reduz muito o risco de doença grave, evitando que o quadro evolua para complicações, necessidade de internação e maior risco à saúde da criança”, salientou.
Como parte da resposta à emergência, o governo do Estado informou a previsão de abertura de mais de 1,8 mil leitos na Operação Inverno Gaúcho com Saúde, incluindo 604 leitos estaduais e 1.277 leitos federais. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde, a formalização do decreto é necessária para ampliar o apoio financeiro à rede hospitalar e solicitar ao Ministério da Saúde a habilitação de leitos de UTI adulto e pediátrica. A SPRS orienta que todas as crianças a partir dos seis meses sejam vacinadas contra influenza. Na rede pública, a vacinação está prevista para crianças de seis meses a menores de seis anos e para outros grupos com condições específicas, mas a recomendação médica se estende também às crianças acima dessa faixa etária, especialmente diante da maior circulação viral.
“Toda criança acima dos seis meses de idade precisa fazer a vacina com urgência. Este ano, estamos vendo uma explosão dos casos de influenza de uma forma mais grave do que em anos anteriores. É essencial que os pais se conscientizem e vacinem imediatamente as crianças. Mesmo aquelas acima dos seis anos também podem apresentar quadros graves e acabar precisando de internação, por isso a vacinação deve ser valorizada”, destacou. Além da imunização, a SPRS orienta que as famílias reforcem medidas simples e eficazes no dia a dia. Higiene frequente das mãos, etiqueta respiratória, ventilação dos ambientes, uso de máscara por pessoas com sintomas respiratórios, não compartilhamento de copos e talheres e permanência em casa de crianças sintomáticas ajudam a reduzir a circulação de vírus no outono e no inverno.
“Um cuidado muito importante é não levar a criança doente para a escola. Sabemos que isso é difícil e complica a rotina das famílias, mas criança com febre ou sintomas respiratórios não deve ir para creche ou escola infantil, porque pode disseminar o vírus para outras crianças. Além disso, essa mesma criança está com o sistema imunológico mais fragilizado naquele momento e também corre o risco de pegar outro vírus ou bactéria. É uma proteção para os outros e para o próprio filho”, orientou.
A entidade também alerta para o cuidado com bebês pequenos, especialmente menores de seis meses, que ainda não podem receber a vacina contra influenza. A recomendação é evitar locais com aglomeração e restringir visitas de pessoas com qualquer sintoma respiratório, mesmo quando o quadro parecer leve. “Quem está doente não deve visitar criança pequena, recém-nascido ou mães que acabaram de ter bebê. Mesmo que pareça apenas uma rinite, o ideal é não ir”, frisou. Porto ainda ressaltou que a vacinação segue como uma das principais ferramentas de proteção, sobretudo para crianças dentro da faixa etária indicada e demais grupos prioritários.