O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira, que vai suspender a imunização com a vacina do Butantan contra a dengue. O ministro Alexandre Padilha disse que foram identificadas 42 reações severas em pessoas que receberam a vacina.
Entre os casos, há duas mortes que estão sob investigação e outro caso grave, em que o paciente precisou ser internado em UTI. A suspensão está em vigor até que todas as investigações sejam realizadas.
“Não há dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses três casos, mas é um sinal de alerta para o sistema de vigilância”, destacou Padilha.
Padilha disse que a decisão de suspender o uso da vacina do Butantan é temporária e baseada na precaução. O ministro defendeu que o programa de vacinação está ajudando a combater a dengue, doença infecciosa que causa maior número de casos no país há décadas.
“Uma das fortalezas do nosso programa nacional de imunização, que reforça cada vez mais sua credibilidade, é sempre seguir a ciência, as evidências científicas e trabalhar sempre a lógica da proteção da população brasileira”, afirmou.
Ainda de acordo com o ministro, foram aplicadas 500 mil doses do imunizante e foram identificados 42 episódios de reações consideradas mais severas, que estão associadas ao momento em que foi aplicada a vacina. Entre os casos, há reações consideradas “absolutamente inesperadas”, porque não haviam sido observadas nos 16 estudos clínicos, nem nos estudos das fases 2 e 3.
Butantan promete avaliação “com o máximo rigor científico”
O diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, prometeu uma avaliação “com o máximo rigor científico possível” e citou as medidas que serão adotadas a partir dos episódios. Será feita uma avaliação aprofundada dos casos, para entender a natureza das reações; as análises de benefícios da vacina serão expandidas e o Butantan vai propor novos estudos para avaliação da base de dados.
Kallás destacou a discussão a seriedade e o rigor do processo de licenciamento da vacina. “Foi um processo longo de discussão com a Anvisa, onde fomos aos mínimos detalhes dos dados dos estudos clínicos, tivemos discussões adicionais. Foi uma discussão extremamente responsável e rigorosa para avaliar se a vacina merecia seu licenciamento, que foi concedido em novembro de 2025”, afirmou.
Kallás citou ainda dados dos estudos e afirmou que o imunizante protegeu durante cinco anos os voluntários participantes com proteção média estimada em 65%.Server Running
Confira a transmissão do governo federal sobre o assunto:
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