Saúde

Saiba mais sobre a superbactéria que causou a morte de bebê prematuro em hospital de Porto Alegre

Caso ocorreu na UTI Neonatal do Hospital Fêmina, fechada temporariamente para conter a disseminação do microrganismo

Acinetobacter baumannii foi classificada em 2024 pela Organização Mundial da Saúde como uma das mais perigosas do mundo
Acinetobacter baumannii foi classificada em 2024 pela Organização Mundial da Saúde como uma das mais perigosas do mundo Foto : Divulgação/Grupo Hospitalar Conceição

Após a detecção da superbactéria Acinetobacter baumannii, a UTI Neonatal do Hospital Fêmina, em Porto Alegre, foi temporariamente fechada. Um bebê prematuro extremo morreu na unidade. Ao todo, 34 pacientes estavam internados no setor, e quatro testaram positivo para a bactéria, incluindo o recém-nascido que veio a óbito.

Classificada em 2024 pela Organização Mundial da Saúde como uma das mais perigosas do mundo, a Acinetobacter baumannii está associada principalmente a infecções relacionadas à assistência à saúde, especialmente em UTIs.

Bactéria pan‑resistente

A Acinetobacter baumannii é considerada pan-resistente, o que indica que não há resposta aos antibióticos disponíveis atualmente. Esse cenário limita as alternativas de tratamento e eleva o risco de complicações, sobretudo entre pacientes mais vulneráveis, como recém-nascidos prematuros.

Também chama atenção a capacidade da bactéria de resistir aos carbapenêmicos, antibióticos de última linha usados quando outras terapias não funcionam. O uso frequente ou inadequado desses medicamentos está entre os fatores que favorecem o avanço da resistência bacteriana.

Onde a bactéria é encontrada

A Acinetobacter baumannii pertence à família Moraxellaceae e tem alta capacidade de sobrevivência em ambientes hospitalares. Ela pode permanecer por longos períodos em superfícies secas, como equipamentos médicos, leitos, mobiliário e outros objetos.

Essa resistência ambiental favorece sua associação às chamadas Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS), sobretudo em locais com pacientes em estado grave ou com longos períodos de internação.

Como ocorre a transmissão

A transmissão pode acontecer por contato direto ou indireto. No ambiente hospitalar, isso inclui o contato com superfícies ou equipamentos contaminados e a transferência do microrganismo por meio das mãos, um mecanismo conhecido e monitorado em protocolos de controle de infecção.

Autoridades de saúde destacam que esses eventos são investigados caso a caso e que hospitais seguem rotinas rigorosas para prevenção, como higienização constante e isolamento de pacientes quando necessário.

Quem corre mais risco

Embora algumas pessoas possam carregar a bactéria sem apresentar sintomas, o risco de infecção é maior entre pacientes com o sistema imunológico fragilizado. Entre os grupos mais vulneráveis estão: recém-nascidos, especialmente prematuros; pacientes internados em UTIs; e pessoas submetidas a procedimentos invasivos, como ventilação mecânica.

Veja Também

Quais infecções pode causar

A bactéria pode provocar diferentes tipos de infecção, dependendo da área afetada. Entre as principais estão:

  • pneumonia associada à ventilação mecânica;
  • infecções na corrente sanguínea;
  • infecções urinárias;
  • infecções em feridas e tecidos moles.

Sintomas variam conforme o caso

Os sinais clínicos dependem do local da infecção, mas podem incluir:

  • febre e dificuldade para respirar (em casos pulmonares);
  • dor ao urinar (infecção urinária);
  • vermelhidão e presença de pus (feridas);
  • queda de pressão e mal-estar geral (infecção no sangue).

O que diz o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), responsável pelo hospital

Equipes da UTI neonatal e controle de infecção do Hospital Fêmina detectaram a presença de uma bactéria pan resistente na UTI Neonatal no último dia 16/04. Imediatamente, todos os órgãos reguladores e de fiscalização foram avisados (secretarias municipal e estadual de saúde e vigilância sanitária) e foram adotados os procedimentos de restrição máxima com isolamento total da área, bloqueio de movimentações, fechamento temporário para novas admissões e testes em todos os pacientes internados no setor.

Dos 34 pacientes internados, quatro testaram positivo. Infelizmente, um dos pacientes positivos veio a óbito. Ele nasceu de um parto de risco e em situação de prematuridade extrema, com 26 semanas. Os outros três bebês positivos estão estáveis e isolados, sendo acompanhados por equipe exclusiva de cuidados, sem contato com outros setores.

As equipes clínica e de enfermagem do Hospital Fêmina vêm atuando de forma diligente, garantindo que nenhum paciente internado ou gestante que tenha buscado o hospital fique sem atendimento ou exposta a situação de risco.

O hospital segue monitorando com o protocolo de restrição máxima para partos de risco, sendo acompanhado pelos serviços de regulação para garantir que eventuais casos graves que buscarem o hospital sejam transferidos para outras unidades hospitalares.