Trabalho que exige meses, a preparação da Expointer envolveu desafios extraordinários em 2024. Com as fortes chuvas de abril e maio e a enchente do Rio do Sinos, que inundou o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, o evento ficou sob a ameaça de não ser realizado. Em junho, quando as águas baixaram e foi possível verificar o estrago, houve uma divergência entre as entidades copromotoras da feira, conforme revelou um dirigente de uma delas à reportagem. Uma parte avaliava que melhor seria cancelar a mais importante atração do agronegócio gaúcho. Outra parte insistia na importância de enfrentar as dificuldades para impulsionar a recuperação do setor.
No dia 14 daquele mês, o governador Eduardo Leite visitou o parque e bateu o martelo. Definindo o período de realização da Expointer entre os dias 24 de agosto e 1º de setembro, assegurou um investimento emergencial de R$ 6 milhões e deu o início à tarefa de deixar o parque em condições de abrigar a 47ª edição do evento.
Nesta segunda-feira, 12, novamente o governador deverá retomar o tema da Expointer e, provavelmente, apresentar o cartaz e a logomarca de 2024. Em anos anteriores, estas peças de propaganda e marketing já estariam circulando. Além disso, de acordo com a subsecretária do Parque Assis Brasil, Elizabeth Cirne-Lima, Leite estará na data-limite para anunciar uma novidade relacionada à feira. “Algo inédito e maravilhoso”, diz Elizabeth. Enquanto isso, o mutirão para finalizar os preparativos se reflete nas obras e serviços realizados simultaneamente na área, desde trabalhos de pintura à instalação de estruturas de telhados ou de canos no sistema hidráulico. “Tudo estará pronto até o dia 24, mas as obras seguirão em andamento inclusive durante o período de montagem dos estandes”, garante a subsecretária, salientando a importância da parceria do serviço público e as entidades copromotoras nas atividades desenvolvidas nos últimos meses.
O emergencial demorou mais do que o previsto
O desafio de concluir a recuperação e melhorias no Parque de Exposições Assis Brasil tem origem não só na inundação que tomou conta da área entre maio e junho. Também a burocracia estatal desempenhou seu papel. Quando o governador Eduardo Leite anunciou, no dia 14 de junho, a liberação emergencial de R$ 6 milhões para as obras de reparos no parque, a subsecretária Elizabeth Circe-Lima, responsável pelo logradouro, diz haver acreditado “ingenuamente” que os recursos estariam liberados em uma semana. Demorou seis vezes mais, um mês e meio até que os processos fossem encerrados e os contratos, finalmente, assinados. De acordo com Elizabeth, a colaboração de entidades copromotoras foi decisiva para acelerar ações imediatamente necessárias.
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), por exemplo, contribuiu com reparos nos telhados dos pavilhões da Agricultura Familiar, do Comércio Internacional, de animais e de leilões, além da substituição da cobertura do Boulevard. Antes do início das reformas, a Federação também providenciou a limpeza dos pavilhões e banheiros do parque com hidrojato, garantindo a retirada de todo lodo decorrente das cheias, entre outras iniciativas. Na avaliação do diretor administrativo e coordenador da Comissão de Exposições e Feiras da Farsul, Francisco Schardong, a edição da Expointer se caracterizará pelo caráter técnico da produção agropecuária gaúcha. "Faremos um evento profissional, mostrando nossa pecuária, mas sem as grandes festas que ocorriam por respeito aos moradores no entorno do parque, que passaram por muitas dificuldades e ainda estão reconstruindo suas vidas. Iremos mostrar o resultado do trabalho da pecuária do Rio Grande do Sul", afirma Schardong.
Também empresas privadas estão fazendo sua parte no processo. É o caso das Tintas Coral, que mobilizou 70 pessoas e ofereceu 1,2 mil litros de tinta impermeabilizante para a revitalização das esferas em verde, vermelho e amarelo (representando as cores da bandeira rio-grandense) e dos muros do parque. Somente o muro diante da BR-116 tem dois mil metros quadrados de área. As esferas constituem praticamente um símbolo do parque e, por extensão, da Expointer. Os três globos formavam o estande da Alemanha Ocidental a partir de 1972, ano da 1ª exposição internacional de animais em Esteio, que contou com a presença de nações como Holanda, França, Estados Unidos, Inglaterra, Áustria, Suécia, Dinamarca, Bélgica, Uruguai, Argentina, Chile e Alemanha. Elas foram doadas para o governo gaúcho em 1974, ano do sesquicentenário da colonização alemã no Rio Grande do Sul.