Com a certeza de que a safra de grãos 2024/2025 no Rio Grande do Sul será afetada em sua produtividade pelas enxurradas de em maio deste ano, a Organização das Cooperativas do Rio Grande do Sul (Ocergs) busca ampliar dos atuais R$ 50 milhões para R$ 100 milhões o limite de verbas a ser solicitado por organização atingida pelo desastre climático. A medida será fundamental em 2025 para equilibrar as finanças do setor, conforme adverte o presidente da Ocergs, Darci Hartmann.
O dirigente explica que os produtores mais afetadas pela catástrofe climática não estão conseguindo quitar todos os seus débitos e ainda precisam de apoio para conseguir viabilizar os próximos plantios, para recompor o solo degradado e repor as perdas. Hartmann estima que a crise ocasionada pelas enchentes atinge mais fortemente cerca de 15 cooperativa e um terço dos produtores do Estado – o que equivale a cerca de 90 mil agricultores.
“Inicialmente, se falou em R$ 20 milhões por cooperativa, o que logo se viu que era insuficiente. Apesar de ter ser uma ampliação bastante positiva, R$ 50 milhões ainda não atende todo o desafio que temos pela frente”, argumenta o presidente da Ocergs.
Hartmann ressalta que, além das negociações para aumentar o limite de crédito ao setor, a Ocergs pleiteia que o repasse seja feito diretamente do BNDES para as cooperativas. Os recursos já repassados em 2024 foram via instituições do sistema financeiro, o que provoca a elevação dos juros. “Muitas cooperativas, e também produtores, estão pegando dinheiro com prazo curto e alto custo, o que logo pode inviabilizar a quitação”, ressalta ele.
No atual cenário, curiosamente, é o clima o único fator que pode amenizar uma pouco a situação e gerar uma produtividade “boa”, mas ainda longe da normalidade. Hartmann diz que a perspectiva de que o fenômeno La Niña não seja tão forte como previsto no meio do ano pode se refletir na manutenção das chuvas regulares registradas até o momento.
“Essa regularidade atual nos mostra lavouras com bom desenvolvimento. Se essa regularidade for mantida até fevereiro ou meados de março, podemos ter resultados positivos mesmo onde o produtor, por falta de recurso, plantou com baixa tecnologia”, analisa o presidente da Ocergs.