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No Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, quero lhe fazer um convite: caminhar por Porto Alegre com os meus olhos. Sou uma mulher com deficiência física que jamais permitiu que as limitações do corpo fossem maiores que os meus sonhos, mas que, muitas vezes, já se entristeceu com algo que machuca mais do que qualquer barreira arquitetônica: a invisibilidade.

Somos milhões e, ainda assim, tantas vezes, tratados como exceção. A população com deficiência no Brasil foi estimada em 18,6 milhões de pessoas, 8,9% da população maior de 2 anos de idade. Isso sem falar nos mais de 30 milhões de idosos, que também carecem de acessibilidade.

Falamos, portanto, de uma parcela enorme da população que deseja apenas o direito de existir plenamente.

E enquanto parte da sociedade ainda enxerga acessibilidade como custo, o mundo já entendeu que ela é valor, propósito e futuro.

Nossas cidades precisam de um olhar verdadeiramente inclusivo, aquele que não se limita a rampas ou placas simbólicas, mas que atravessa lojas, hospitais, aplicativos, escolas, restaurantes, espaços públicos e privados. Inclusão exige visão sistêmica, planejamento e, sobretudo, compromisso.

Inclusão, essa palavra que, no latim, é includere, significa “fechar em”, “inserir”, “rodear”, quer dizer, em português, colocar algo ou alguém dentro de um espaço.

Mas a etimologia não conta tudo. Inclusão não é apenas colocar para dentro. Inclusão é fazer caber, fazer pertencer, fazer existir plenamente. Inclusão é tirar alguém da condição de hóspede e transformá-lo em cidadão.

Inclusão é substituir favores por direitos. É trocar o olhar piedoso pelo olhar responsável. É compreender que quando a cidade abraça quem tem mais dificuldade, ela fica melhor para todos, mais inteligente, mais humana, mais digna.