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35 anos do ECA: É hora de fortalecer o Conselho Tutelar em Porto Alegre

Por Marcelo Bernardi, vereador de Porto Alegre

Neste dia 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 35 anos, consolidando-se como um marco na proteção integral dos direitos da infância e adolescência no Brasil. No entanto, sua efetividade depende de uma rede de proteção ativa e fortalecida — e o Conselho Tutelar é peça central nesse processo.

Em Porto Alegre, a realidade ainda está aquém do necessário para garantir esse direito. Com base nos dados do último Censo, a capital gaúcha deveria contar com 13 microrregiões do Conselho Tutelar, mas, atualmente, possui apenas 10. Isso significa que cada uma das atuais unidades precisa atender, em média, 200 mil habitantes, o que sobrecarrega os conselheiros e compromete a qualidade do atendimento. Essa sobrecarga vai na contramão do que o ECA preconiza: atenção individualizada, ágil e eficaz às situações de violação de direitos.

Diante desse cenário, protocolei um projeto de indicativo ao prefeito solicitando a criação de mais três microrregiões, com destaque para áreas extremamente populosas e vulneráveis, como a região do Eixo Baltazar (zona norte) e a Restinga (extremo-sul), que, juntas, concentram quase 300 mil habitantes. É uma medida urgente para aproximar o Conselho Tutelar das comunidades e ampliar o acesso à proteção. Além da expansão territorial, é essencial avançarmos na regulamentação do cargo de conselheiro tutelar, garantindo critérios claros de atuação e valorização profissional.

Isso inclui o reajuste salarial, que reflita a importância e a complexidade dessa função. Precisamos discutir o assunto com extrema urgência e trazê-lo para a Câmara Municipal é um passo importante para que Porto Alegre não apenas celebre os 35 anos do ECA, mas reafirme seu compromisso com a infância e a juventude, fortalecendo a rede de proteção social e respeitando o direito de cada criança e adolescente de crescer com dignidade e segurança.