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A crise econômica pós-enchentes no RS está longe do fim

Por Rodrigo Lorenzoni, deputado estadual

As consequências das enchentes históricas de 2024 seguem impactando duramente a economia do Rio Grande do Sul. O encerramento das atividades de uma empresa com 170 anos de história em Porto Alegre recentemente é um retrato doloroso da gravidade do cenário. E esse não é um caso isolado. É o reflexo de uma realidade muito distante da normalidade.

Na subcomissão especial que presido na Assembleia Legislativa, temos realizado reuniões em várias regiões do Estado, ouvindo empresários e representantes do poder público. O quadro que se revela é alarmante: mais da metade das empresas atingidas pelas cheias ainda não retomou plenamente suas atividades. Muitas operam com faturamento bem abaixo do nível anterior à tragédia, o que compromete sua viabilidade.

Outro fator preocupante é o endividamento crescente. Muitos empreendedores buscaram empréstimos para tentar reabrir, mas, com vendas reduzidas, não conseguem arcar com os compromissos assumidos. Forma-se um ciclo perigoso: dívidas maiores, empresas enfraquecidas e risco real de novas falências.

Apesar dos anúncios de apoio por parte dos governos estadual e federal, a ajuda efetiva ainda não chegou para todos. Empresários relatam dificuldades no acesso ao crédito, burocracia nos programas e, em muitos casos, total ausência de suporte. Isso mostra que a política pública desenhada até aqui está aquém das necessidades do setor produtivo.

Vivemos um cenário de desemprego crescente, desaquecimento econômico e perda de renda para milhares de famílias. A crise é profunda e requer medidas estruturadas e urgentes. Não bastam paliativos. Precisamos de um plano robusto de recuperação econômica que dê fôlego real a quem empreende e gera empregos.

A narrativa oficial tenta transmitir uma sensação de superação. Mas os dados e os relatos que ouvimos mostram o contrário: a crise segue aberta – e pode se agravar.

O futuro do Rio Grande do Sul passa, necessariamente, pelo fortalecimento de quem produz. E essa precisa ser a prioridade de qualquer governo sério e comprometido com a reconstrução do nosso Estado.

Seguirei fazendo minha parte: cobrando ações concretas, denunciando omissões e defendendo, com firmeza, o setor produtivo gaúcho.