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A escola que olha nos olhos

Por MAURÍCIO COLONIEZZI ERTHAL, diretor-geral do Colégio Marista Rosário

Em tempos de notificações constantes, a escola vive uma oportunidade: redescobrir e ressignificar o valor da presença. A restrição ao uso de celulares durante o período escolar não representa um combate à tecnologia, mas um convite para que todos, em especial crianças e jovens, reaprendam o tempo da aprendizagem, da convivência e da descoberta.

Os primeiros sinais dessa mudança já podem ser percebidos. A atenção concentrada ocupa o seu espaço nas salas de aula, favorecendo a escuta, a participação e o aprofundamento das aprendizagens. Professores encontram maior disponibilidade para o diálogo, enquanto estudantes recordam que aprender exige tempo, construção de hábitos, curiosidade e dedicação, elementos que dificilmente coexistem com qualquer dispersão.

Percebemos que o maior avanço está para além dos muros curriculares e acadêmicos. Nos intervalos, multiplicam-se conversas, jogos, música, esporte, brincadeiras e manifestações culturais. A escola propicia, em sua essência, espaço de encontros, em que se aprende a partilhar, negociar, respeitar diferenças e construir amizades. Afinal, a completude da educação se dá para além da transmissão de conteúdos, é espaço para ambiência e formação de pessoas capazes de viver em comunidade.

Essa experiência reforça uma verdade muitas vezes esquecida: a tecnologia deve servir à educação, não substituí-la. O celular tem seu lugar e sua importância, mas não pode ocupar o espaço das relações nem sequestrar a atenção daqueles que estão em processo de formação.

Como nos lembra Rubem Alves, “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” Toda essa caminhada permite construir escolas que sejam asas: ambientes que protejam a infância, favoreçam o pensamento crítico e devolvam aos estudantes a possibilidade de viver a experiência da garantia de memórias felizes na escola.

Para além da ausência de celulares, devolveram-se olhares, palavras, silêncios, risos e descobertas. Quando a atenção floresce, a convivência se fortalece e os resultados acadêmicos se qualificam. A escola reafirma sua missão mais nobre: formar seres humanos preparados para um mundo que busca pessoas capazes de estar presentes e dispostas a olharem nos olhos umas das outras.