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A força do encontro entre culturas

Por LUIZ CARLOS BOHN, presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEPo

Em um mundo marcado por transformações aceleradas, tensões e, muitas vezes, pela dificuldade de escuta, celebrar a diversidade cultural é reafirmar um princípio essencial à vida em sociedade: o de que nossas diferenças não nos afastam; ao contrário, nos enriquecem. Instituído pela UNESCO, o Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Diálogo e o Desenvolvimento, neste 21 de maio, nos convida, a cada ano, a refletir sobre o valor das múltiplas formas de expressão, das tradições, das línguas e das visões de mundo que compõem a experiência humana.

Em nossa atuação através do Serviço Social do Comércio, aprendi como a cultura é, por excelência, um território de encontro. É por meio dela que reconhecemos no outro, não uma ameaça, mas uma possibilidade de aprendizado. Ao entrar em contato com diferentes narrativas, sensibilidades e modos de existir, ampliamos nossa compreensão sobre o mundo e sobre nós mesmos. Esse exercício de alteridade é indispensável para a construção de sociedades mais justas, criativas e solidárias.

Não por acaso, a diversidade cultural também está diretamente ligada ao desenvolvimento. Comunidades que valorizam suas identidades e promovem o intercâmbio entre saberes tornam-se mais inovadoras, resilientes e preparadas para enfrentar os desafios contemporâneos. A economia criativa, a educação, o turismo e tantos outros setores encontram na pluralidade uma fonte permanente de renovação e crescimento.

É nesse contexto que iniciativas culturais assumem papel estratégico. Ao longo de duas décadas, o Festival Palco Giratório Sesc tem sido, em Porto Alegre, um espaço privilegiado de circulação de ideias, estéticas e experiências. Nesta edição comemorativa, que segue até 3 de junho com mais de 60 espetáculos e um amplo seminário sobre o fazer artístico, talentos de diferentes regiões do Brasil e de outros países da América do Sul se encontram para compartilhar suas criações, reafirmando a arte como linguagem universal e ponte entre culturas.

Mais do que apresentar espetáculos, um Festival como esse promove diálogos, aproxima públicos, estimula a reflexão, fortalece vínculos e amplia horizontes. Reafirmo, portanto, que valorizar a diversidade cultural através de iniciativas como essa é investir em desenvolvimento humano, social e econômico. É reconhecer que uma sociedade plural é também uma sociedade mais rica em possibilidades. E é compreender que, quando diferentes vozes encontram espaço para se expressar, todos ganhamos.