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A guerra que podemos evitar

Por DANIELA CARDEAL, presidente do Sindienergia-RS

Vivemos um tempo em que o mundo volta a conviver com guerras — conflitos muitas vezes distantes, que parecem fora do nosso alcance. Mas há uma guerra silenciosa, cotidiana e absolutamente evitável acontecendo ao nosso redor.

Março deveria ser o mês da mulher. Um tempo de retomada, de planos, de novos ciclos. Mas este ano tem sido marcado pela exposição de feridas profundas: os casos de feminicídio avançam de forma alarmante, sem sinais claros de reversão.

Não se trata de ideologia, rótulos ou disputas de sexo ou narrativa. Trata-se de humanismo. Trata-se de reconhecer que nenhuma relação justifica a violência. Que o fim de um relacionamento não é fracasso — é, muitas vezes, maturidade. Que conflitos sobre filhos, patrimônio ou qualquer outro aspecto da vida em comum têm espaço legítimo na Justiça, nunca na agressão.

A violência, ao contrário, é sempre uma escolha. E, quando ela acontece, não é apenas um indivíduo que falha — é a sociedade que se omite. Quantas vezes os sinais foram ignorados? Quantas vezes o grito foi ouvido, mas não acolhido? Quantas vezes a violência foi tratada como “problema do casal”, no qual ninguém deve meter a colher?

A segurança da mulher não é uma pauta setorial. É um dos indicadores mais claros do nível de civilidade de uma sociedade.

Se há guerras no mundo sobre as quais pouco podemos agir diretamente, esta está ao nosso alcance. Pode ser enfrentada com educação, informação, responsabilidade, rede de apoio e, sobretudo, com mudança de postura coletiva. Não há mais espaço para tolerância — nem para a agressão, nem para a omissão.

Ao mesmo tempo, março também nos apresenta sinais de avanço. Iniciativas que ampliam a presença e a voz das mulheres começam a ganhar forma concreta. A criação de um novo espaço na Casa da Indústria, na Fiergs, voltado a inspirar trajetórias femininas, é um exemplo. Nos próximos dias, instituições como a Sociedade de Engenharia, a Federasul e o Sindienergia-RS — tradicionalmente reconhecidas por debates técnicos e econômicos — abrem espaço para discutir o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais segura.

A guerra que podemos evitar começa com uma decisão simples, mas poderosa: não se calar, não se omitir, não aceitar. Porque não basta abrir portas se ainda há medo do lado de fora. Nenhuma sociedade evolui enquanto suas pessoas não estiverem, de fato, seguras para viver.

No dia 30 de março, durante o Fórum da Mulher Gaúcha Empreendedora, a proposta é transformar reflexão em ação. Reunir lideranças, construir um manifesto pela segurança e dar um passo concreto para que todas as pessoas possam ocupar seus espaços — e para que tenhamos, enfim, marços dos quais possamos nos orgulhar.