Durante as campanhas às câmaras e prefeituras municipais, permaneceu inexpressiva a abordagem, pelos candidatos, sobre como pretendem valer-se da governança de dados para tornar suas cidades mais inteligentes e responsivas.
O mesmo fato foi observado no restante do país, mas se esperava que no Rio Grande do Sul, ainda abalado pelas enchentes de maio, fosse diferente. A tragédia evidenciou que as administrações municipais devem ser mais ágeis, o que passa pelo uso da tecnologia na realização e planejamento de suas ações. Foi dessa forma que diversas iniciativas voluntárias, espontâneas e descentralizadas puderam produzir resultados desde o início das cheias, auxiliando, por meio de dados espacializados, quem teve de deixar suas casas a localizar alojamentos, mostrando regiões que deveriam ser evacuadas conforme o nível do Guaíba subia, quais rodovias eram trafegáveis naquele momento, dentre outros.
Não somente situações extremas tornam imperativa a transformação digital das cidades brasileiras. A gestão de dados possibilita reduzir o tempo de locomoção no trânsito, agilizar e aperfeiçoar o atendimento dos serviços municipais, gerar indicadores que possibilitem o monitoramento da constância com que eventos ocorrem e dispor de previsibilidade e ferramentas que possibilitem respostas rápidas, valer-se de mapeamentos sobre onde se concentram arrecadação, lançamentos imobiliários e outras variáveis, saber em tempo real como está o funcionamento da infraestrutura urbana, etc.
Com o crescimento do 5G, do uso IoT em indústrias e da inteligência artificial no atendimento a clientes de prestadores de serviços, esperava-se que o uso dessas e outras ferramentas fosse comum na gestão urbana. Mas não é. Raros são os municípios brasileiros que buscam usar a tecnologia para tornarem-se mais inteligentes, adaptáveis e regenerativos.
Diante da demora quase generalizada na busca por essa transformação, resta supor que o quadro resulta de um número expressivo de gestores que creem que cidades poderão ser administradas como no passado – ainda que tudo fora da esfera pública esteja se transformando – ou da dificuldade em identificar quem os auxilie nessa adequação aos tempos atuais.
Ainda que os novos mandatários municipais estejam definidos, é imperativo que as gestões iniciem essa sua transformação digital, até para que as propostas dos que acabam de ser eleitos sejam mais efetivas a partir do uso da tecnologia, que é imprescindível hoje em qualquer atividade. Difícil entender tal atraso persistir nas administrações municipais.