A transição para fontes de energia mais sustentáveis está no centro da agenda global. Eventos climáticos extremos, como as enchentes que atingiram o nosso estado e, mais recentemente, a Espanha, reforçam a gravidade das mudanças climáticas e deixam claro que essa é uma pauta que deve ser encarada como prioritária. Nas últimas décadas, a produção de energia renovável — especialmente das fontes eólica e solar — ganhou grande visibilidade e passou a ser conhecida e, em certa medida, adotada pelo público em geral. No entanto, muita gente ainda não conhece o potencial dos resíduos sólidos urbanos para a geração de energia.
Desde 2015, no principal aterro sanitário do estado, em Minas do Leão, geramos eletricidade a partir do biogás proveniente da decomposição do lixo. É uma fonte renovável, eficiente e de alta disponibilidade. Esse processo envolve a queima e o controle das emissões de gases de efeito estufa, como o metano, gerando adicionalmente créditos de carbono.
Agora, a gestão de resíduos no Rio Grande do Sul está avançando ainda mais com novos investimentos em biometano, com a construção de duas plantas, uma em Minas do Leão e outra em São Leopoldo. No total, estão sendo investidos cerca de R$ 230 milhões na produção de energia renovável a partir do lixo urbano das cidades gaúchas. Esse projeto, que conta com o apoio do governo do Estado e está em sintonia com a busca por soluções sustentáveis para um futuro mais resiliente, também poderá ganhar nova escala com o programa "Combustível do Futuro", lançado recentemente pelo governo federal.
Além de diversificar nossa matriz energética, a produção de biometano no RS ajudará a reduzir nossa dependência de combustíveis fósseis, como o gás natural. O biometano pode substituir, sem prejuízo, o gás convencional em veículos, no uso domiciliar, em processos industriais e em outros usos. Tudo isso fortalece a economia regional, preservando o meio ambiente — um objetivo estratégico para a gestão dos recursos e das relações de produção no contexto atual.
Os resíduos — como vimos com o acúmulo durante as enchentes — exigem uma atenção cada vez maior de todos os segmentos da sociedade. Temos soluções adequadas e ainda há um enorme potencial para desenvolver novas tecnologias de reconversão, valorização e aproveitamento, do lixo urbano, industrial, de inertes ou de outros tipos. Diante de tantas evidências, não podemos fechar os olhos para essa questão. Com consciência, parceria e visão de futuro, vamos juntos gerar novas oportunidades e construir um novo ciclo de desenvolvimento para nossas cidades e para todo o RS.