Após 18 anos oferecendo um pouco de dignidade aos brasileiros mais necessitados, chegou ao fim o Bolsa Família. Para interromper o benefício, que serviu de modelo para muitos programas novos em todo o mundo, o governo federal criou um novo mecanismo chamado de Auxílio Brasil, acompanhado da promessa de fazer mais pelo povo. Porém, o que vimos neste período desde a sua implementação foi uma queda significativa na cobertura de distribuição de renda, principalmente para os gaúchos.
Tive a honra e a responsabilidade de participar do nascimento do Bolsa Família, no período em que estive em Brasília. Dados do Ministério da Economia mostram a relevância dessa política: 14,6 milhões de famílias brasileiras eram atendidas pela medida, reconhecida internacionalmente pela sua capacidade de combater a fome e reduzir a pobreza. Vale lembrar que o pagamento era condicionado à frequência das crianças na escola e – pasmem! – à vacinação. Isso tudo sem falar no repasse da verba para as mulheres, contribuindo para a autonomia feminina na sociedade. É evidente que havia necessidade de aperfeiçoamento e avanços, mas seus méritos são inequívocos.
Em Canoas, o poder público vem fazendo o possível para equilibrar essa balança social. São diversos projetos que visam enfrentar as dificuldades socioeconômicas, como o Auxílio Emergencial Canoense – que já repassou R$ 4,3 milhões para famílias em vulnerabilidade social, mantendo a quantidade de beneficiados pelo programa municipal. Por outro lado, o atual programa social do governo federal deixou de atender cerca de 1,2 milhão de gaúchos. É fundamental a participação do poder público em iniciativas como essa, que trabalham com a realidade do povo, mostrando que, apesar das dificuldades, é possível encontrar soluções criativas, incentivando empresas, entidades e moradores a seguirem o caminho da solidariedade. É hora de fomentar e criar condições para que ações sociais ganhem espaço. Já não podemos mais permitir a redução do básico. A solidariedade não pode fazer parte de discursos ensaiados se, na prática, suas ações não são capazes de combater a desigualdade. Essa seria uma boa forma para derrotar a fome e a pobreza no país.