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A permanência do legado

Por Thiago Roberto Sarmento-Leite, advogado e professor universitário

Já foi dito: “(…) povo sem memórias, de personagens e realizações do passado, não tem futuro”. Afortunadamente, nosso Estado é rico no que tange às memórias de vultos e de fatos. A valer, pois, a afirmação perante e para a nação.

De registrar, então, neste dia 24 de abril, o transcurso de nove décadas do falecimento (1935) de Eduardo Sarmento Leite (nascido em 07/4/1868). Sua concreta contribuição à sociedade rio-grandense há que ser considerada como de real significação. Razão pela qual, no curso destes 90 anos, ele tem sido lembrado, homenageado e cultuado, vastamente, pelos seus pósteros. Portanto, a validar integralmente sua memória. Na realidade, Sarmento Leite não foi – desde sua formatura (1890), aos 22 anos – um exponencial médico-cirurgião e afamado lente de Anatomia Descritiva. Imortalizou-se na condição de cofundador da Faculdade de Medicina de POA (1898) e uma das constituidoras da Ufrgs (1934), tendo sua inegável participação evidenciada em mural, pelo pintor Aldo Locatelli, confeccionado por determinação do então reitor Eliseu Paglioli e localizado na Sala de Atos dos Conselhos, da reitoria.

Entretanto, Sarmento Leite, com sua ação de autêntico visionário, como asseverado pelo historiador Sergio da Costa Franco, foi em relação à faculdade, o "responsável pela consolidação e superação de inúmeras crises que a afetaram”. Donde, a bem dar a medida das decisivas medidas, quando à frente da entidade, por mais de 20 anos e sendo, a partir de 1915 até 1935, na qualidade de diretor; ocasião em que comandou a construção do belo prédio, inaugurado (1924) e “sito na rua que leva seu nome, em justa menção”; porquanto. Reeleito - sempre, por justiça e por necessidade da Instituição”. Outrossim, Sarmento Leite titulou a 5ª. Enfermaria de Cirurgia/SCMPOA. Por iniciativa de seguidores, após sua morte, veio a receber seu nome. Em suma, pela constante dedicação ao ensino e à pesquisa, afora as exitosas demandas administrativas, teve, ainda em vida, por reconhecimento de seus pares (1935, busto em bronze, colocado na escadaria de acesso ao Salão Nobre, da “Casa de Sarmento Leite” (como era designada por docentes, alunos, funcionários e populares a faculdade).

Teve muitas atividades desenvolvidas, fantasticamente, em apenas 44 anos de curta, porém profícua atividade profissional, eis que faleceu aos 67 anos por pneumonia. Prestou inúmeros e relevantes serviços – quando a tanto concitado – à comunidade.

Concomitantemente, foi membro do Conselho Municipal da Capital (hoje Câmara Municipal), onde, inclusive, atuou como presidente; do órgão da Higiene Estadual (origem da Secretaria da Saúde); dos organismos de classe (associações, sindicatos) e muito mais. Assim, em todo passar dos tempos, não têm sido poucos os prestigiosos tributos à legendária personalidade de Sarmento Leite. De igual modo, pelo Panteão Médico Rio-Grandense, quando "presta a justa homenagem de colocá-lo em seu pórtico, como nume tutelar da classe que tanto honrou e dignificou". Seu passamento deu-se sob invocação do Criador e pela concessão de todos os sacramentos da Igreja Católica. Deixou, enfim, esplendoroso legado de extraordinário cunho moral, de honra e dignidade. De conseguinte, por força das virtudes inerentes e coerência insuperável, os magnos exemplos legados por Sarmento Leite têm resistido aos deletérios efeitos do tempo. Seguramente, contudo, jamais serão olvidados ou desprezados pelas gerações que o sucedem. E, indubitavelmente, para seus descendentes, é motivo de inequívoco e genuíno orgulho. Afinal, melhor e maior herança meramente pecuniária absolutamente não teria o condão de superar tão valioso legado. De ressaltar que, implicitamente, é ratificada e renovada a irrestrita gratidão aos que – com admirável e ilimitada grandeza – veneram, permanentemente, tudo e quanto foi legado por Sarmento Leite.