Dos 704 mil novos casos de câncer estimados anualmente pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) para o triênio 2023-2025 no Brasil, 52.620 são esperados no Rio Grande do Sul. No caso do câncer de próstata e do câncer de mama em mulheres, por exemplo, estima-se que cerca de 92% e 75% dos casos, respectivamente, tenham potencial de cura em estágios iniciais. Por trás desses números positivos, há equipes que trabalham em pesquisas clínicas capazes não só de reduzir a mortalidade, mas também de garantir tratamentos mais eficazes e melhor qualidade de vida aos pacientes.
Mais do que isso, esses estudos aproximam a população das terapias inovadoras. Para que um novo tratamento seja incorporado, ele precisa ser comparado com a melhor terapia disponível no momento, a qual, na maioria das vezes, está distante do SUS e disponível apenas para quem tem acesso à rede privada. A pesquisa clínica é um dos caminhos para que pacientes tenham acesso antecipado a medicamentos mais promissores, dentro de protocolos rigorosamente monitorados e com forte respaldo ético.
Além disso, os avanços da medicina de precisão e das tecnologias digitais reforçam esse caminho. Testes genômicos permitem identificar alterações específicas de cada tumor e direcionar terapias mais eficazes, enquanto ferramentas de inteligência artificial ajudam a organizar o grande volume de dados clínicos gerados nos hospitais. Com isso, ampliamos a capacidade de identificar padrões, acelerar estudos e oferecer decisões mais personalizadas aos pacientes.
Por isso, chamo a atenção para o fato de que a pesquisa clínica não deve ser vista como algo distante e lento. Não se trata mais de uma inovação restrita aos países mais desenvolvidos, algo para chegar aqui só em dez anos. Hoje, ela precisa ser entendida como parte essencial do tratamento oncológico, assim como o acesso a medicamentos, aos médicos e aos cuidados especializados. Valorizar e apoiar a pesquisa clínica é investir diretamente em mais vidas salvas e em uma oncologia mais justa e moderna para todos.