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A Polícia está proibida de prender

Por GUILHERME WONDRACEK, presidente da Asdep

Em recente reunião do Conselho Gestor do Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), uma frase dita por um de seus membros resumiu a atual falência da segurança pública gaúcha: "A Polícia Civil prende 60 pessoas num dia e quer que o Nugesp tenha vagas". A mensagem do Estado é clara, beirando o escárnio: a Polícia está, na prática, proibida de prender. A nossa eficiência institucional em retirar criminosos das ruas tornou-se um "incômodo logístico" para uma gestão prisional que já ruiu.

Criado para acabar com a vergonha de presos amontoados em viaturas, o Nugesp hoje é o epicentro de um novo colapso. Sendo a porta de entrada para Porto Alegre e municípios das regiões Metropolitana, Vale do Sinos, Paranhana, Caí e Carbonífera, quando essa engrenagem trava, a segurança de metade do Estado paralisa. E ela travou. Retornamos ao cenário medieval de delegacias superlotadas e viaturas servindo de celas provisórias no Palácio da Polícia. Para agravar, o Estado nem sequer garante a alimentação básica desses acautelados.

A desordem administrativa e de segurança chegou a níveis alarmantes em episódios recentes: um preso conseguiu fugir do pátio do Nugesp mesmo algemado a outros detentos. Além disso, um criminoso perigoso, preso em flagrante pelo Deic, com arma restrita, foi solto pela porta da frente devido a um equívoco da Polícia Penal, antes mesmo da audiência de custódia.

Enquanto o sistema rui, delegados e agentes da Polícia Civil sofrem o inaceitável desvio de função. Afastados das investigações e do desmantelamento de facções, são obrigados a atuar como carcereiros em ambientes sem a mínima estrutura. Ao mesmo tempo em que o sistema de segurança dos gaúchos colapsa, o governador do Estado abandona a população à própria sorte para atender o seu projeto de poder, que faliu antes mesmo do pleito.

A Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep-RS) não assistirá a esse retrocesso calada. Delegacia não é presídio e Policial Civil não é carcereiro. Se o Estado é incapaz de gerenciar suas vagas, que assuma sua ineficiência pública. A sociedade exige segurança e nós exigimos respeito às nossas prerrogativas. A Polícia Civil continuará cumprindo seu dever de prender, mas não carregará nas costas a irresponsabilidade de um governo que só pensa em projetos de poder.