O grande sonho dos últimos meses: a vacina para nos imunizar contra a Covid-19. Certamente este seria o principal pedido para 2020, no momento de pular as sete ondas na noite da virada. Eis que o nosso Brasil, país de terceiro mundo, sinaliza com esperança a solução para este problema que tanto nos aflige. Justamente quando enfrentamos o pior momento da pandemia, depois de viver mais de nove meses em situação de calamidade pública, a notícia tão esperada é anunciada: teremos uma vacina.
Ela vem do instituto paulistano Butantan, que tem mais de 120 anos de história e notório reconhecimento pela criação de vacinas importantíssimas, como H1N1 e meningite, entre outras. No entanto, a notícia que deveria ser recebida com alegria virou alvo de polêmica, discussões ideológicas e políticas. A Coronavac é produzida em conjunto com a empresa Sinovac, da China e, até aí, dá para entender o receio de leigos. Porém, sabemos que, infelizmente, a rejeição ao imunizante está associada ao governo de São Paulo, de João Dória, adversário político do nosso excelentíssimo presidente da República.
As autoridades sempre deixaram claro que não aplicarão uma vacina sem a aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas também não vão aceitar que um assunto sério e urgente como este seja levado para o campo partidário. Já basta tudo que vemos neste sentido com relação à pandemia.
Prefeitos se mobilizaram e passaram a cobrar da União uma política nacional de vacinação contra a Covid-19. Parece que a pressão surtiu efeito. Nesta quarta-feira, o ministro da Saúde Eduardo Pazzuelo garantiu que o governo comprará a Coronavac, se aprovada pela Anvisa.
A vacina está aí, melhor, aqui. Outras estão em fase de aprovação e terão eficácia. Seja de onde for, com a devida certificação, tem que ser perseguida pelos gestores para imunizar a população. E o que realmente esperamos é que o assunto seja tratado com a responsabilidade e importância que merece. Afinal, com mais de 178 mil mortes no Brasil e mais de 6 milhões de infectados, não podemos mais ignorar a pandemia e suas consequências na vida e na economia do país.
*Prefeito de Santo Antônio da Patrulha