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A procuradoria que trouxe de volta a Secretaria da Mulher

Por BRUNA RODRIGUES, deputada estadual e ex-procuradora especial da Mulher na Assembleia Legislativa

A epidemia do feminicídio no Brasil e, principalmente, no RS, não deixa mulheres (sobre)viverem em paz. E a violência, com que tenho tamanha familiaridade por tê-la vivido em casa, ao lado da minha mãe e irmãos, me catapultou para a luta em defesa das mulheres. Tenho um orgulho imenso de dizer que, à frente da Procuradoria Especial da Mulher na Assembleia Legislativa, conseguimos conquistar um feito histórico para todas as gaúchas: a recriação da Secretaria Estadual da Mulher. Através de uma moção de recomendação, 50 deputados estaduais se uniram e assinaram um documento em que o Legislativo aconselhava o governador a retomar a Secretaria.

É necessário reconstruir um futuro sem medo para as mulheres gaúchas, já que, em menos de três meses, já temos 22 mulheres assassinadas neste ano por feminicídio. São famílias destroçadas, mães sem suas filhas, órfãos sem suas mães. Esses números retratam o cenário de medo e indignação que o Rio Grande do Sul enfrenta desde 2025, ano em que a violência contra as mulheres atingiu níveis nunca antes vistos no Estado. Essa é a prova de que a ausência de políticas públicas pode mudar completamente a vida das pessoas para pior, já que foram 10 anos sem a secretaria.

Estar à frente da Procuradoria Especial da Mulher por um ano tornou ainda mais nítida a compreensão de que ocupar esse espaço é muito mais do que exercer uma função institucional: é representar diversas mulheres que ainda enfrentam a violência, o racismo estrutural, a desigualdade salarial e a exclusão dos espaços de poder. É garantir que cada denúncia seja acolhida, que cada política pública seja construída com responsabilidade e que cada vida seja considerada prioridade.

Ao encerrar minha gestão à frente da Procuradoria, provamos que a nossa luta é coletiva, de que não caminhamos sozinhas. Somos fruto de movimentos sociais, de organizações de mulheres, de redes de apoio e de tantas vozes que ecoam nos bairros, nas periferias, nas comunidades quilombolas, nas universidades e nos parlamentos. A Procuradoria da Mulher precisa continuar sendo um instrumento de esperança e mobilização, não só na Assembleia, mas também em outros espaços, como nas Câmaras de Vereadores, para que em cada cidade possa construir, também junto ao Executivo municipal, um caminho mais seguro para todas as gaúchas.