Quando uma criança começa a circular pela cidade, ensinamos regras básicas de segurança. Orientamos sobre a faixa de pedestres, o semáforo, o cinto e os cuidados necessários em cada deslocamento. Esse aprendizado é fundamental, mas existe uma responsabilidade anterior: são os adultos que definem as condições em que essa criança estará exposta ao trânsito. Os números mostram o tamanho dessa responsabilidade. Em três anos, 2.693 crianças e adolescentes de até 14 anos morreram em sinistros de trânsito no Brasil. Em 2025, 12.671 foram hospitalizados, crescimento de 3,9% em relação ao ano anterior.
Em Porto Alegre, as hospitalizações envolvendo crianças e adolescentes mostram-se estarrecedoras. Em 2025, 1.426 crianças e adolescentes de até 17 anos foram envolvidos em sinistros violentos de trânsito, segundo os Hospitais Cristo Redentor e de Pronto Socorro e SSP (consultas integradas). Uma criança pode aprender como atravessar uma rua com segurança. Ao adulto condutor, cabe dirigir em velocidade compatível com o ambiente, dar preferência na faixa de segurança e compreender que seu comportamento determina o nível de risco daquele espaço. Ao poder público cabe planejar vias que protejam a vida. As velocidades permitidas e o próprio desenho das ruas influenciam diretamente a segurança de quem circula.
Essa mudança de perspectiva importa porque crianças ainda estão desenvolvendo sua capacidade de perceber riscos e tomar decisões. A cidade precisa considerar essa condição em vez de exigir delas o mesmo julgamento esperado de um adulto. Educar para o trânsito significa também educar quem já dirige, quem planeja as ruas e quem toma decisões sobre mobilidade. Cada escolha adulta ajuda a determinar o quanto uma criança estará protegida em seu caminho.
Podemos ensinar cuidados desde cedo. A responsabilidade por criar um trânsito seguro permanece conosco. Crianças estão aprendendo a viver a cidade. Aos adultos cabe garantir que elas possam fazer isso em segurança.