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A vida sempre vence a morte

Por Egui Baldasso, escritor e consultor de comunicação

Há poucos dias, um bom amigo recebeu em mãos a maior dádiva de um ser humano. O filho recém-nascido se aninhou em seus braços em um dia frio, chegando ao mundo com poucos quilos, mas uma vontade de viver incontrolável, e uma força que ainda nem entende que possui. Tanta bênção traduzida em um rosto e uma tentativa de sorriso que, aos poucos, se torna característica.

Ainda mergulhado num amor que trouxe sentido a tudo, meu amigo recebeu uma daquelas notícias que chegam em um segundo, mas duram uma vida inteira. A morte do irmão mostrou como somos frágeis e que nossa passagem por aqui pode acabar na próxima esquina, sem perguntar quais são os nossos planos e se temos tempo para despedidas. Mesmo tendo aprendido na pele o quanto as partidas machucam, certos traumas não ensinam. Apenas doem. Não nos preparam para os próximos. Apenas relembram. E não nos confortam. Apenas passam. Quando tentei formular rápidas palavras de consolo, me vi embretado entre tantas, mas nenhuma que pudesse levar qualquer afago. Parecia injusto dizer a ele que as coisas iriam melhorar, sabendo que não vão. A morte, ingrata e cruel, nunca vai embora.

Hesitei, apaguei, insisti. Na nossa relação de sempre, aprendi que elas sabem quais surgirão, escolha muito mais das palavras do que minha. E voltei ao papel. Entre dor e esperança, vi a foto do filho. E tudo ficou óbvio. Mesmo com somente algumas semanas, era ele que carregava a resposta e cada letra que eu queria escrever.

Os planos de Deus são tão perfeitos que aquele pequeno havia chegado para preparar o coração do meu amigo. As perdas, inevitáveis, nunca irão superar os sorrisos. A vida sempre vence a morte. E o amor que nos deixa sempre será amor. Por aqui, a alma pulsa nas mãozinhas fechadas ao redor do dedo. Nas bochechas, implorando para serem apertadas. Na próxima fralda a ser trocada. Na cabecinha escorada no peito para dormir. No sonho que fala sem parar: eu sei que dói, papai, mas eu estou aqui para te curar.

O meu amigo ainda vai sentir muito a falta do irmão. Nas datas, nos encontros, nas decisões que ficam mais fáceis de errar quando temos para onde voltar e quem nos recebe nos conhece desde quando os erros eram bem menores e ainda inofensivos. Mas, a cada momento em que a saudade vier machucar, os sorrisos que o menino já divide irão lembrá-lo de que nascemos para ser felizes. Também em meio à dor.