Artigos

Administrar o Brasil também é uma escolha

Por CLAUDIA ABREU, coordenadora da câmara da saúde do CRA-RS e ex-presidente do Fórum das profissões regulamentadas do RS e do CRA-RS

No último dia 9 de setembro, celebramos o Dia Nacional do Administrador, data instituída pela Lei 12.967, de 6 de maio de 2014. A escolha do dia remete a um marco fundamental para a profissão no Brasil: a assinatura da Lei 4.769, em 9 de setembro de 1965, que regulamentou a profissão do administrador. Mais do que uma data comemorativa, este momento deve ser também um convite à reflexão sobre a importância da Administração e sobre a forma como conduzimos nossas organizações e instituições e, consequentemente, sobre os caminhos que estamos construindo para o nosso país. Em 2026, ética, moral, governança, responsabilidade institucional e autonomia dos Poderes estão no centro do debate público. E essa realidade não termina em Brasília. Seus efeitos alcançam empresas, órgãos públicos, condomínios, clubes, igrejas e todas as organizações que fazem parte da vida social.

Onde há pessoas, recursos, decisões e responsabilidades, há gestão. E gestão não pode ser improvisação. A Administração é uma ciência, com métodos, princípios e profissionais preparados para planejar, organizar, dirigir e controlar organizações. A Lei 4.769 estabelece as bases do exercício profissional do administrador e reconhece sua atuação no campo da administração. Por isso, uma pergunta merece ser feita: por que funções essencialmente administrativas ainda são, tantas vezes, ocupadas sem que a formação específica em Administração seja devidamente considerada? É desconhecimento? É uma cultura de improviso? Ou ainda não aprendemos a valorizar a especialização quando o assunto é gestão?

Não se trata de criar uma disputa entre profissões. Ao contrário. Outros profissionais possuem conhecimentos distintos e complementares. Uma organização madura sabe utilizar cada competência no lugar certo. O que não parece razoável é tratar a gestão como uma atividade secundária, que pode ser exercida sem conhecimento específico. Um país que pretende ser eficiente precisa profissionalizar suas estruturas. Não há boa governança sem competência. Não há eficiência sem planejamento. Não há confiança sem ética. Na data que celebra a profissão, portanto, a homenagem ao administrador precisa vir acompanhada de uma provocação: que o Brasil reconheça a gestão como uma área estratégica e coloque profissionais qualificados nos espaços em que seu conhecimento é indispensável.

Precisamos de administradores administrando. De tecnólogos atuando em suas áreas de formação. De profissionais escolhidos pela competência e não pela conveniência. Porque governar é decidir. Administrar é transformar decisões em resultados. Um país que leva seu futuro a sério precisa entender que boa gestão não é detalhe. É fundamento.