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Adoção: informar, sensibilizar e agir

Por Kaká D’Ávila, deputado estadual (PSDB)

No Brasil, mais de 4.900 crianças e adolescentes aguardam por uma família, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). Eles não são feitos de vinil. Sentem dor, sentem abandono, sentem medo. E, ao contrário dos bonecos hiper-realistas que imitam bebês, eles crescem — e com eles crescem também as cicatrizes de uma espera silenciosa, muitas vezes invisível para a sociedade.

No Rio Grande do Sul, essa realidade ganha contornos ainda mais alarmantes: 588 crianças e adolescentes estão na fila da adoção. A maioria tem mais de 7 anos, idade que, infelizmente, reduz drasticamente suas chances de encontrar uma nova família. No Estado, 3.916 estão acolhidos em abrigos, mas a maior parte sequer está apta à adoção por conta da morosidade nos processos de destituição do poder familiar. Ou seja, o tempo da infância passa enquanto o sistema falha em dar respostas.

Diante disso, soa quase absurdo — mas necessário — ter de lembrar que bonecos não substituem seres humanos. É importante reconhecer o uso terapêutico legítimo dos bonecos “reborn”, mas quando eles se tornam espetáculo ou objeto de consumo exagerado, enquanto milhares de crianças reais seguem à espera de amor e acolhimento, algo precisa ser urgentemente repensado.

Enquanto celebridades postam vídeos ninando bonecos e chamando-os de “filhos”, há crianças reais, em lares temporários, sonhando com alguém que simplesmente as enxergue. Que esteja disposto a estar presente, a cuidar, a amar de verdade. Precisamos, como sociedade, resgatar nosso senso de responsabilidade coletiva. Não há nada mais poderoso do que o gesto de alguém que escolhe amar uma criança que não gerou — mas que pode transformar, com esse amor, a própria história e a do outro.

Sabemos que adoção não é para todos, mas se você não pode adotar, pode ajudar a mudar a realidade ao seu redor. Pode apoiar políticas públicas, acolher, divulgar informações corretas, cobrar celeridade nos processos. O silêncio, neste caso, também é uma forma de abandono. Adoção com responsabilidade é um chamado à empatia, à ação e à reconstrução de laços.