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Aprender com os filhos

Por Gilberto Jasper, jornalista

Criar filhos é uma tarefa cada vez mais difícil. No mundo dominado pela tecnologia, o desafio torna-se ainda mais complexo. É preciso desenvolver mecanismos de controle cada vez mais sensíveis e sofisticados. Vigiar os conteúdos que invadem o cotidiano dos herdeiros através do celular e do computador, por exemplo, exige conhecimento técnico somado ao desenvolvimento de confiança mútua, nem sempre fácil.

Durante muito tempo, a função de pai era de coadjuvante na criação e educação da prole. As tarefas rotineiras dos primeiros anos de vida dos filhos se restringiam a prover o que era necessário dentro de casa. Sou da geração nascida em 1960. Diferente do meu pai, que sequer sabia trocar nossas fraldas, aprendi todos os truques desde a mais tenra idade da minha gurizada.

O aprendizado exigiu desapego a frases e ditados que ouvi ao longo da infância e adolescência, aquelas do tipo semelhantes a “homem não chora”. Fui a todas as consultas do pré-natal da minha esposa na gravidez de nossos filhos, hoje adultos.

As visitas à ginecologista para o exame de ecografia foram momentos de indescritível emoção, lembrados em detalhes até hoje. Ver o pequeno ser crescendo não tem similar. À época, a tecnologia engatinhava, as imagens eram borradas, dúbias. Reproduzir o vídeo era verdadeira tortura para as visitas que vinham à nossa casa: “Só vocês conseguem enxergar os dedinhos dos pés e mãos!”, debochavam com bom humor.

Aprendi a trocar fraldas, dar banho, levar ao pediatra e fazer vacinas – momento doloroso em que era impossível conter o choro, deles e meu. A distância e o desapego no início da vida escolar, as primeiras baladas, a ansiedade da chegada deles com o dia raiando, tudo foi um aprendizado.

Tudo valeu muito a pena. Hoje tenho dois grandes amigos. Laura e Henrique são adultos carinhosos, responsáveis e solidários. Ser pai me transformou em um ser humano melhor, mais paciente, participativo e comprometido. Não apenas com meus herdeiros, mas também com as pessoas à minha volta que precisam de ajuda, acolhimento e paciência.

Neste Dia dos Pais, agradeço – de todo coração – à possibilidade de compartilhar minha vida com os filhos. Eles não imaginam, mas eu aprendi muito mais com eles do que o contrário. E isso acontece até hoje.