Em maio de 2024, Canoas passou pelo seu pior momento em 85 anos. A enchente de 1941 foi superada pela de 2024, tanto do ponto de vista da mancha de inundação quanto das pessoas diretamente atingidas, – nesta última, 55% dos habitantes do lado oeste da cidade tiveram suas vidas, seus pertences e memórias levados pelas águas.
Desde o dia 2 de maio, quando os sinais da enchente começaram, as redes sociais dos canoenses viraram um grande turbilhão. Turbilhão de informações, de mentiras, de oportunismo, mas também, graças a Deus, de solidariedade.
Canoas virou um grande laboratório de algo maior sendo testado pela rede nacional do ódio, que difundiu absurdos como retenção de doações, milhares de corpos boiando pela cidade, montanhas de mortos escondidos em caminhões frigoríficos, espancamento de gestores públicos em locais de abrigamento e, o mais grave, que o poder público não havia anunciado a evacuação. Todas essas mentiras foram refutadas com a demonstração fática e efetiva de ações dos diversos órgãos públicos envolvidos, sejam eles municipais, estaduais, federais e do Poder Judiciário. Houve, de fato, infelizmente a perda de 31 preciosas vidas canoenses, tamanha foi a catástrofe, mas muito longe dos milhares que vídeos de supostos influencers elencaram.
Mas o que gerou essa desinformação toda? O que a pergunta já sugeriu: gerou desconhecimento. Em um estudo realizado, a pedido do PSD Canoas, com um dos maiores institutos de pesquisa do estado, o IPO, constatou-se que 45% da população não reconhece os centros de distribuição organizados pela Prefeitura de Canoas, locais estes que funcionam como os principais espaços de acesso a itens de alimentação, roupas, água potável, material de higiene e outros insumos necessários à sobrevivência após o impacto da tragédia. A grande verdade é que os centros de distribuição foram, e ainda estão sendo, as grandes ferramentas de acesso da população e andaram a par e passo com as recomendações dos órgãos de controle e do Ministério Público.