A consternação em razão da tragédia ocorrida em Blumenau provocou um debate nacional sobre as medidas de segurança nas escolas. Nesse contexto, algumas vozes restringem suas recomendações a ações predominantemente repressivas, atacando as consequências e não as causas do problema. Isso é apenas parte − e talvez a menor − de uma correta política de prevenção e combate à violência.
Como profissional da segurança pública, sei bem a importância do reforço no policiamento e na vigilância privada, no controle de acesso, no sistema de videomonitoramento, no botão de pânico, dentre outras medidas de suporte necessárias. Todavia, esse olhar restritivo está longe de realmente enfrentar com profundidade o problema da violência externa e interna das escolas.
Diante de um cenário com vidas em risco, é preciso construir políticas públicas baseadas em evidências que realmente alcancem resultados efetivos e perenes.
O município pode desempenhar um papel fundamental no campo da prevenção à violência, estimulando a cultura da paz nas escolas através de programas de prevenção primária, já testados e comprovados, identificando e tratando de crianças e jovens que apresentam comportamento violento, bem como suas respectivas famílias.
O programa Pacto pela Paz, aplicado em Santa Cruz do Sul, Lajeado, Pelotas e Rio Grande, tem esse propósito. Por meio de um trabalho integrado e multidisciplinar, envolvendo áreas da educação, saúde, segurança, esporte, cultura, assistência social e empreendedorismo, acompanha jovens da rede pública municipal, identificando situações de risco e desenvolvendo técnicas de controle das emoções, resolução pacífica de conflitos, fortalecimento de valores e vínculos familiares, além de estimular a capacitação para o mercado de trabalho.
Num momento de crise, precisamos investir em soluções estruturais, que realmente funcionem como vacinas para as diferentes formas de violência que assolam nossa sociedade. O problema é complexo e multidisciplinar, logo, a solução também precisa ser. Os bons exemplos já estão entre nós.