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Autossuficiência energética: transformar potencial em potência

Por DANIELA CARDEAL, presidente do Sindienergia-RS

O Rio Grande do Sul reúne condições ímpares para se tornar, nos próximos anos, não apenas autossuficiente, mas também um importante exportador de energia. Para transformar esse horizonte em realidade, precisa investir nas mais diversas possibilidades de geração, construindo uma matriz energética diversificada, robusta e confiável. E isso não é uma aposta, é projeto.

Projeto, aliás, que já temos estruturado, desde que o Sindienergia-RS construiu o RS+5. É um plano de ação que estabelece metas claras e organizadas, além de traçar o caminho para que, até 2030, o Estado acrescente 5 gigawatts em capacidade instalada, valendo-se da combinação de diferentes fontes. Essa estratégia — de investir e ampliar a participação de fontes fotovoltaicas, eólicas e bioenergias (biogás e biomassa) e de revisitar nossos modelos de geração hidroenergética, que podem e devem consorciar monitoramento e respeito às águas, pessoas e meio ambiente — aponta para uma matriz energética diversificada, robusta e confiável.

Trata-se de sustentabilidade ambiental, segurança energética e redução de riscos sistêmicos, essenciais para atrair investimentos. A vantagem competitiva gaúcha é clara. O Estado tem condições climáticas e geográficas que favorecem; costa com possibilidades para parques offshore; e hidrogênio verde suficiente para descarbonizar o agro e a logística. Além disso, já conta com infraestrutura que possibilita integrar novas capacidades, como os data centers.

No Sindienergia-RS, temos dialogado com pré-candidatos ao governo do Estado para apresentar esse planejamento e reforçar a necessidade de dar prioridade ao tema, que está em construção e aprimoramento com todos os envolvidos. Avançar na direção da composição de uma matriz que inclua todas essas fontes, no formato mais adequado para garantir maior segurança energética para o Estado.

Além dos candidatos ao Executivo, buscamos também abrir canais com os pré-candidatos ao Senado. Mostrar a importância de todos trabalharem unidos em torno desse projeto, que precisa virar uma política pública robusta, capaz de promover desenvolvimento econômico, garantir a autossuficiência energética e de contribuir para a modernização regulatória do setor.

A transformação do RS em exportador de energia exige, além de investimentos em geração, ações coordenadas em transmissão, armazenamento e inovação tecnológica. E, para isso, é preciso haver união de propósito e convergência em todas as esferas. As decisões que tomarmos agora definirão nossa matriz energética nas próximas décadas.

O tempo para agir é agora: transformar potencial em potência exportadora depende da convergência. O projeto concreto já temos. Precisamos estabelecer que este seja um planejamento de Estado, com regulação estável e transparência, capacitação técnica e estímulo a arranjos produtivos locais. Se quisermos um RS mais próspero e seguro energeticamente, temos de fazer desse projeto uma prioridade. 2030 está logo ali.