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Avicultura e as águas de maio

Por José Eduardo dos Santos, presidente Executivo da O.A.RS (Asgav/Sipargs)

A avicultura gaúcha também é uma vítima da catástrofe climática. Um dos principais setores econômicos do Rio Grande do Sul, quiçá do Brasil, amargura perdas que significam uma vida de investimentos em infraestrutura, inovação e sanidade. As águas que atingiram o Estado arrastaram quase 700 mil aves de cortes e poedeiras (que põem ovos), sem contar aves avós e matrizes, cerca de 2,8 milhões de pintos para corte, mais de 100 mil pintos que, na maturidade, seriam para produção de ovos e aproximadamente 1,5 milhão de ovos fertilizados perdidos. Na infraestrutura industrial, os números seguem impactantes: quase R$ 100 milhões em perdas parciais e R$ 15 milhões em perdas totais. Neste momento, o total estimado ultrapassa a casa dos R$ 247 milhões em prejuízos.

É bom lembrar que também fomos afetados pelas chuvas de setembro/23, que afetaram o Vale do Taquari. Não tivemos tempo de nos recuperar. Retomar uma atividade agroindustrial, que precisa de reposição de material genético e de infraestrutura de alto valor, não é fácil. A avicultura, que é composta por pessoas, está cansada de se salvar. A avicultura precisa ser salva.

Após o resgate das vidas humanas, nosso Estado vive a fase da reconstrução. Nós, da Organização Avícola Gaúcha do Rio Grande do Sul, não esmorecemos e seguimos cobrando do poder público ações emergenciais para atender os avicultores. Precisamos de recursos. De linhas de crédito. Nós, que tanto movimentamos a economia e ajudamos a sustentar o aparato fiscal do Brasil, continuamos entregando alimento, mas precisamos de ações mais firmes, rápidas e sem entraves para pequenas, médias e grandes indústrias e produtores.

Recentemente, tivemos uma reunião com a equipe técnica do BNDES, que está atendendo in loco no Estado. A nossa fala foi enfática sobre a real necessidade de se estabelecerem medidas que também estejam acessíveis ao produtor de grande porte, principais responsáveis por colocar o RS como um dos produtores e exportadores de destaque de carne de frango e de ovos do Brasil.

Por isso, é imprescindível o Fundo Garantidor de Crédito para as grandes empresas, caso contrário, teremos desemprego. É imprescindível a redução do spread bancário. Precisamos que o governo do Estado, que vem trabalhando para ajudar o nosso setor, seja mediador desse impasse para que o BNDES/Governo Federal atenda nosso pleito.